Lynn Painter, celebridade entre o público teen, especialmente meninas, causou alvoroço de fãs em recente participação na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em 5 de setembro, em um dia de muito frio e chuva na cidade.
A Folha perguntou a autora norte-americana se ela pretende incluir o Brasil no próximo livro. “Eu praticamente tenho que fazer isso, não é? “, respondeu. “Ainda não sei como, mas com certeza preciso espalhar um pouquinho de Brasil pelas páginas!”
Não há dados oficiais do público que assistiu à mesa em que ela foi entrevistada, mas a Arena Cultural, onde foi realizado o evento e que tem capacidade para 610 pessoas sentadas, estava abarrotada, e os leitores se espalhavam de pé em volta das cadeiras e pelas áreas ao redor, com adolescentes subindo em mesas da praça de alimentação e bloqueando os corredores que davam acesso ao local.
Quem estava mais ao fundo só conseguia enxergar o que acontecia no palco pelo telão. A chegada de Lynn foi motivo de gritaria, e, durante a entrevista, a cada resposta da autora, a plateia respondia com gritos de empolgação. “Lyyyyyyyynnnnnn, I love you”, berravam o tempo todo.
Para as sessões de autógrafos que ela realizou nos dias 4 e 5, também na Bienal, as 300 senhas distribuídas on-line se esgotaram em cinco minutos.
Uma menina de 14 anos que conseguiu uma das senhas estava emocionada e tremendo ao sair com o seu livro autografado. “Eu comecei a ler por causa da Lynn. São histórias muito fofinhas e engraçadas, não dá vontade de parar”, disse.
É um relato comum: “Eu detestava ler até conhecer os livros da Lynn. Agora a leitura se tornou uma paixão, então ela é muito importante na minha vida”, disse outra fã, de 17 anos, também tremendo após abraçar a autora.
Jovens que não haviam conseguido a senha se aglomeravam diante dos seguranças na tentativa de serem chamadas para a área dos autógrafos. Uma estudante de 17 anos contou que tinha até perdido uma prova para ficar on-line tentando a senha.
“Passei mal e quase desmaiei quando vi a Lynn no palco”, contou. “A gente se identifica com os personagens. Eu tenho pais divorciados, como a Dani [do livro “Patinando no Amor”], e isso me ajuda a lidar com a situação. Quando vi a Lynn parecia que estava me encontrando com uma amiga.”
O primeiro livro da autora, “Melhor Do Que Nos Filmes”, foi lançado nos Estados Unidos em 2021, e suas vendas explodiram em 2022 graças às redes sociais.
Em 2023, chegou ao Brasil pela editora Intrínseca, e já vendeu cerca de 500 mil exemplares –no mercado brasileiro, a venda de 10 mil exemplares já é vista como best-seller. O romance agora vai ser adaptado para um longa-metragem da Netflix.
Os outros 500 mil exemplares vendidos por Lynn no Brasil são dos oito livros que ela lançou na sequência, pela mesma editora, entre eles “Melhor Do Que O Baile”, “Patinando No Amor” e “Não É Como Nos Filmes”. Seu estilo é comédia romântica para adolescentes, embora escreva também romances mais apimentados para adultos.
Casada, mãe de cinco filhos, Lynn trabalhava na área administrativa de uma empresa e começou a escrever livros por volta dos 40 anos.
Nos EUA, figura na lista dos mais vendidos do “New York Times”, e sua editora norte-americana, a Simon & Schuster, divulgou, no ano passado, que suas vendas já haviam ultrapassado 2 milhões de exemplares internacionalmente.
Lynn já viajou ao Brasil quatro vezes –nas últimas duas bienais de SP e nas últimas duas do Rio –, e o sucesso só aumentou nesse período. A Intrínseca divulgou crescimento de 85% nas vendas da Bienal de SP deste ano em relação à edição anterior. Segundo a editora, Lynn é a principal responsável por esse aumento.
Depois de voltar da última maratona brasileira para sua casa, em Omanha, estado do Nebraska, no meio-oeste dos Estados Unidos, Lynn respondeu a reportagem, se o público que ela tem no Brasil é diferente do de outros países.
“O público brasileiro????”, escreveu a autora, por mensagem, com todas essas interrogações. “Não há palavras para descrever o público brasileiro, pelo menos quando se trata dos leitores”, afirmou. “Eu nunca conheci leitores tão apaixonados, envolvidos e acolhedores! Ir ao Brasil é como voltar a um lugar onde tenho família. Sinto-me cercada de amor e carinho, e é mágico.”
Na Bienal, falou que inclusive é fã do cantor Jão. O público vibrou e cantou um trecho da música “Idiota”. Sempre sorridente, Lynn, de novo, levou os fãs à loucura: “Sou brasileira agora”.
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