MANAUS (AM) – Durante visita ao Polo Industrial de Manaus (PIM), nesta sexta-feira, 11, o senador e candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro, atribuiu ao Governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a saída de mais de 300 indústrias brasileiras para o Paraguai. O número citado pelo candidato se aproxima do total de empresas de diferentes setores e origens contabilizadas pelo governo paraguaio no regime de maquila, que reúne operações constituídas em diferentes períodos.
“São tantos impostos, tanta burocracia, tantos problemas, tanto desincentivo pra quem quer empreender no Brasil. Já perdemos mais de 300 indústrias pro Paraguai. Como acontece hoje pelo atual governo”, afirmou Flávio, após visitar a fábrica da Moto Honda da Amazônia.
Dados do Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai apontam mais de 300 empresas com programas de maquila aprovados e em operação no país. A estatística reúne companhias de diferentes origens instaladas sob o regime paraguaio e abrange operações constituídas ao longo de diferentes governos. O modelo oferece condições tributárias específicas para empresas que produzem no Paraguai com foco principalmente na exportação.
Os registros paraguaios mostram expansão do setor nos últimos anos. Entre janeiro e julho de 2026, as exportações realizadas pelo regime de maquila alcançaram US$ 860 milhões, crescimento de 28% em relação ao mesmo período de 2025. Em julho, as empresas vinculadas ao modelo somavam 38.905 empregos, alta de 13% na comparação anual. O Brasil aparece como principal destino dos produtos fabricados pelas maquiladoras paraguaias.
A presença de empresas brasileiras no Paraguai inclui casos de abertura de novas unidades e expansão de operações. Um deles é o da Lupo, que inaugurou uma fábrica em Ciudad del Este em 2025, com investimento de R$ 30 milhões, enquanto manteve quatro unidades industriais em território brasileiro. A empresa classificou a instalação paraguaia como uma expansão de suas operações.
O Paraguai também mantém uma política de atração de investimentos estrangeiros. O presidente Santiago Peña tem apresentado o país a empresários brasileiros destacando fatores como tributação, energia e localização. Nesta semana, Peña divulgou um vídeo direcionado a investidores do Brasil e voltou a apresentar as condições oferecidas pelo país para receber novas empresas.

Foi nesse cenário que Flávio relacionou a situação da indústria brasileira ao Governo Lula durante a agenda no Amazonas. Após visitar a Honda, o candidato usou a estrutura da empresa como referência ao tratar da capacidade produtiva instalada no Polo Industrial de Manaus e defendeu condições para a permanência e ampliação de investimentos industriais no País.
‘Algo sagrado’
Na mesma entrevista, Flávio classificou a Zona Franca de Manaus (ZFM) como “algo sagrado” e afirmou ter compromisso “100%” com o modelo. “Hoje eu posso falar que a Zona Franca não é mais de Manaus, é do Brasil inteiro, é algo sagrado que a gente tem que melhorar cada vez mais”, declarou.
A declaração ocorre três anos após Flávio questionar dispositivos destinados à Zona Franca durante a discussão da reforma tributária. Em 7 de novembro de 2023, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal, o parlamentar afirmou que o texto representava “um avanço ainda maior de proteção à Zona Franca de Manaus em detrimento de todo o Brasil”.
Na mesma discussão, Flávio afirmou que deveriam ser retirados da PEC dispositivos que concedessem à Zona Franca “mais benefícios do que ela possui hoje”. Ao comentar regras que permitiriam novas concessões de benefícios fiscais vinculadas ao modelo, declarou: “Traduzindo, Manaus tem que ser o novo Vale do Silício, e o resto do Brasil, uma Argentina”. Na ocasião, o senador também afirmou ser favorável à existência da ZFM e reconheceu a importância do modelo para o Amazonas.
Durante a agenda desta sexta-feira, Flávio também defendeu o aproveitamento do gás natural disponível no Amazonas para desenvolver uma cadeia de produção de fertilizantes no Estado. “O Amazonas pode ser um grande polo industrial de fabricação de fertilizantes pro nosso Brasil”, afirmou. Segundo o candidato, a produção local poderia ampliar a participação brasileira na fabricação de um insumo utilizado pelo setor agrícola.
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