Como a falência da Venezuela ajudou a mudar a América Latina? Entenda no vídeo

Em fevereiro de 2021, o governo colombiano tomou uma decisão que chamou a atenção do mundo. A Colômbia já havia recebido mais de 1 milhão e 700 mil venezuelanos, muitos deles sem documentos. Em vez de apertar a fronteira ou começar a expulsá-los, o presidente Iván Duque fez o contrário: criou um regime que permitiria a regularização de mais de 2 milhões de pessoas, com documentos válidos por dez anos.

Filippo Grandi, o alto comissário das Nações Unidas para Refugiados, tratou a iniciativa como algo histórico. Disse que não se lembrava de outra medida daquela magnitude durante o seu mandato.

Não era difícil entender o entusiasmo. Enquanto a Europa discutia barcos no Mediterrâneo e os Estados Unidos discutiam muros na fronteira, um país relativamente pobre da América do Sul estava dizendo a uma enorme população de refugiados e migrantes que eles eram livres para ficar, trabalhar e tentar construir uma vida no país.

Cinco anos depois, o cenário é bem diferente.

Nesta semana, o novo presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, ordenou operações conjuntas da polícia e das autoridades de imigração para localizar estrangeiros em situação irregular. A prioridade, segundo o governo, será encontrar os envolvidos em crimes. Depois virão os que não possuem situação migratória regular.

Um homem pilota uma motocicleta ao lado de uma bandeira venezuelana tremulando enquanto um navio cargueiro navega no Porto de La Guaira, Venezuela, em 22 de agosto de 2026 Foto: Juan Barreto / AFP

A Colômbia abriga hoje cerca de 2 milhões e 800 mil venezuelanos.

É tentador transformar essa mudança numa história simples sobre direita e esquerda.

Mas o que aconteceu na Colômbia nos últimos cinco anos é um pedaço de uma transformação muito maior. O colapso venezuelano produziu uma primeira crise bastante visível: milhões de pessoas fugiram do país.

Agora começa a aparecer uma segunda crise, mais lenta e politicamente difícil. Ela começa quando esses milhões deixam de ser vistos como vítimas provisórias de uma emergência e passam a fazer parte, de forma permanente, das sociedades que os receberam.

Quase 8 milhões de pessoas já deixaram a Venezuela. Quase 7 milhões estão na América Latina e no Caribe. Nós estamos falando de uma população maior que a de muitos países inteiros da região, distribuída principalmente pelos vizinhos da Venezuela.

Na coluna em vídeo acima, no programa Fronteiras, Rodrigo da Silva explica por que esse movimento foi grande o suficiente para mudar a própria geografia humana da América Latina.

Programa fronteiras

O programa Fronteiras é uma coluna em vídeo semanal. Os vídeos inéditos vão ao ar sempre aos sábados, às 5h30, para assinantes do Estadão.

Cortes do programa são distribuídos ao longo da semana nas redes sociais e na coluna semanal de Rodrigo da Silva, publicada às segundas-feiras, às 20h.

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