Inflação em São Tomé e Príncipe desceu para 9,5% em julho

Em causa está uma desaceleração de 1,6 ponto percentual (p.p) face aos 11,1% registados no mesmo mês de 2025. O aumento dos preços verificou-se, sobretudo, na categoria dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (+8%). “O principal motor da inflação”, sublinha o INE.

A taxa de inflação em São Tomé e Príncipe fixou-se em 9,5% em julho, de acordo com um boletim divulgado esta quarta-feira, 19 de agosto, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Em causa está uma desaceleração de 1,6 ponto percentual (p.p.) face aos 11,1% registados no mesmo mês de 2025.

O aumento dos preços verificou-se, sobretudo, na categoria dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (+8%),  – o “principal motor da inflação”, sublinha o INE -, seguido das bebidas alcoólicas (+0,5%), da habitação, água, eletricidade (+0,3%), mobiliários e bens e serviços diversos (+0,2%).

“Este padrão indica que a pressão inflacionária continua fortemente concentrada nos bens essenciais, afetando diretamente o poder de compra das famílias”, nota o gabinete de estatísticas.

Numa análise em cadeia, a variação mensal foi de 0,5%, refletindo uma descida de 0,7 p.p. face a junho, com o INE a apontar para um “decréscimo significativo de preços no curto prazo causado fundamentalmente pela descida de preços de alguns produtos alimentares”. Por outro lado, as pressões inflacionistas mais significativas em julho foram protagonizadas pela classe de despesas da saúde  – termómetros clínicos (+11,5%) e análises de sangue (+4,1%), por exemplo – e consumo de bens alimentares e não alimentares.

Até abril, quando a inflação homóloga se fixou em 8,6%, observou-se uma trajetória de desaceleração, mas a tendência inverteu-se nos meses seguintes.

O último Relatório de Conjuntura Macroeconómica do Banco Central de São Tomé e Príncipe (BCSTP) refere que “persistem riscos relevantes para a estabilidade de preços, decorrentes da subida dos custos internacionais da energia, prevendo-se uma aceleração temporária da inflação em 2026, seguida da retoma gradual da trajetória de desinflação nos anos subsequentes”, não obstante a evolução dos preços internos ter permanecido “relativamente favorável no início do ano,
refletindo a continuação do processo de desaceleração da inflação observado desde 2024″.

As previsões da Unidade Macro-fiscal (UMF) do governo são-tomense apontam para “uma interrupção temporária do processo de desinflação” dos últimos anos, “com a inflação homóloga a aumentar para 11,7% em 2026, refletindo sobretudo os impactos do aumento dos preços internacionais da energia e dos bens alimentares, bem como os efeitos da elevada dependência das importações”.

A trajetória descendente deverá verificar-se a partir de 2027, lê-se no mesmo relatório, “beneficiando da dissipação gradual dos choques externos, da estabilização dos preços internacionais e da melhoria das condições internas de oferta”.


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