Estados Unidos vão controlar 65 bilhões de barris de petróleo da Venezuela, afirma Trump

Trump (Foto: X/Reprodução)

Os Estados Unidos vão exeercefr controle sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo na Venezuela, sem nenhum custo para o contribuinte americano. Foi o que disse o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta sexta-feira (28).

Na plataforma Truth Social, o republicano escreveu que o país firmou um acordo petrolífero com a Venezuela e que o pacto garante o controle majoritário. Os termos foram acordados pelo secretário de Estado, Marco Rubio e pelo secretário de Defesa, Pete Hegset, “trabalhando em estreita colaboração com a respeitadíssima presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez”.

Trump disse que o acordo mais do que dobraria as reservas de petróleo dos Estados Unidos. Também pelas redes sociais, Rubio afirmou que o acordo demonstra que a política externa do governo Trump serve para garantir reservas estáveis, petróleo de baixo custo no hemisfério e reduz “os preços da gasolina aqui em casa”.

“Para o povo venezuelano, este acordo trará quase US$ 100 bilhões em investimentos privados, apoiará milhares de empregos bem remunerados e impulsionará a reconstrução da economia da Venezuela”, afirmou ele.

Na quinta-feira (27), o site Axios já havia revelado que o governo Trump negociava com a gestão interina de Delcy Rodríguez uma participação americana em campos de petróleo venezuelanos. Segundo a reportagem, as conversas envolviam mais de uma dúzia de campos, com cerca de 90 bilhões de barris em reservas comprovadas, e eram lideradas por Rubio e Delcy.

A dimensão do acordo ganha relevância diante do tamanho das reservas venezuelanas. Segundo a Agência de Informação de Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês), a Venezuela tinha cerca de 303 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo em 2023, o equivalente a aproximadamente 17% das reservas mundiais e o maior volume de qualquer país.

A abundância de petróleo no subsolo, porém, contrasta com a capacidade de produção do país. Apesar de concentrar 17% das reservas globais, a Venezuela respondia por apenas 0,8% da produção mundial em 2023.

Grande parte das reservas está na faixa do Orinoco e é composta por petróleo extrapesado, cuja extração exige maior capacidade técnica e investimentos. Segundo a EIA, sanções internacionais, restrições orçamentárias da estatal PDVSA, falta de profissionais qualificados e baixo investimento estrangeiro também prejudicaram o desenvolvimento da indústria de petróleo e gás venezuelana.

Analistas afirmaram que precisavam conhecer mais detalhes sobre a estrutura jurídica e financeira do acordo antes de avaliar se ele seria capaz de atrair investimentos significativos.

Não estava claro se o acordo conseguiria reduzir os preços da gasolina no curto prazo, uma vez que o desenvolvimento da infraestrutura necessária para produzir, transportar e refinar o petróleo pesado da Venezuela poderia levar anos.

David Goldwyn, presidente da Goldwyn Global Strategies, afirmou à Reuters não estar claro se uma concessão ao governo dos EUA teria base jurídica na Constituição venezuelana e na nova lei de hidrocarbonetos.

Ele acrescentou que “não há precedente para que o governo dos EUA celebre uma concessão para operar campos de petróleo”. Goldwyn também questionou se o plano enfrentaria os obstáculos que há anos afastam investimentos da Venezuela.

“É difícil imaginar como esse tipo de arranjo aceleraria os investimentos em escala relevante”, afirmou, citando a incerteza política, uma rede elétrica inadequada, a capacidade limitada de exportação e o poder discricionário do governo sobre o setor.

Desde que os EUA capturaram e retiraram do poder o ditador Nicolás Maduro, em janeiro, Washington vem tentando garantir um fluxo estável de petróleo bruto venezuelano para as refinarias americanas.

Ao mesmo tempo, também promove investimentos dos EUA na deteriorada indústria energética venezuelana, que atualmente produz cerca de 1,25 milhão de barris de petróleo bruto por dia.

O governo Trump está sob pressão diante das eleições de meio de mandato em novembro, por causa da alta dos preços da gasolina, que poderia ser atenuada com o fornecimento de petróleo mais barato e o aumento da produção.

Os EUA também vêm buscando soluções para recompor sua reserva estratégica, incluindo a possibilidade de realizar permutas de petróleo bruto com produtores americanos.

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