Brasil perde posto de queridinho do mercado em rali global liderado por IA | Blogs | CNN Brasil

O Brasil começou 2026 como um dos mercados favoritos dos investidores globais. Mas a nova corrida da inteligência artificial mudou o foco dos investidores.

O resultado da Nvidia divulgado nesta quarta-feira (20) — novamente acima das expectativas — reforça a percepção de que o grande motor dos mercados continua sendo a tecnologia. E, nesse cenário, o Brasil deixou de ocupar a posição de destaque que tinha no início do ano.

A volta da inteligência artificial ao centro das atenções ajuda a explicar um movimento que chamou a atenção dos investidores no mundo inteiro, segundo análise da gestora WHG.

O índice S&P 500 levou apenas 11 dias para recuperar uma queda superior a 10%, uma das recuperações mais rápidas já registradas.

Para efeito de comparação, movimentos semelhantes após as crises de 2000 e 2008 levaram cerca de três anos. Até mesmo o rali observado após o chamado “Liberation Day” – o tarifaço de Donald Trump -, há um ano, precisou de 56 dias para devolver as perdas aos investidores.

O resultado foi um mês de abril excepcional para os ativos de risco — o quarto melhor deste século.

 

Na avaliação da WHG, por trás desse desempenho está a convicção crescente de que a revolução da inteligência artificial continuará exigindo investimentos bilionários em chips, data centers, redes de dados e capacidade computacional.

Ao divulgar resultados acima das expectativas e projeções robustas para os próximos meses, a Nvidia reforçou justamente essa narrativa.

Foi nesse momento que o Brasil começou a perder protagonismo.

No início do ano, a bolsa brasileira figurava entre as preferidas dos investidores globais. O Ibovespa acumulou alta de cerca de 22% até fevereiro, beneficiado por valuations descontados, fluxo estrangeiro robusto e expectativas de melhora do cenário doméstico.

Em março, quando a escalada das tensões geopolíticas aumentou a aversão ao risco, o mercado brasileiro voltou a surpreender. Enquanto bolsas consideradas mais congestionadas, como a da Coreia do Sul, sofreram correções expressivas, o Brasil caiu menos de 1%.

Mas a história mudou a partir de abril.

Enquanto os investidores passaram a concentrar apostas nos vencedores da corrida tecnológica, mercados como Coreia do Sul e Taiwan avançaram 43% e 32%, respectivamente. No mesmo período, a bolsa brasileira andou de lado.

A explicação está menos na economia brasileira e mais na composição do mercado.

Hoje, o rali global é dominado por empresas diretamente expostas à expansão da inteligência artificial.

Fabricantes de semicondutores, fornecedores de memória, operadores de data centers e empresas de infraestrutura digital acumulam ganhos expressivos diante da expectativa de uma nova onda de investimentos em capacidade computacional.

Segundo a WHG, a cesta formada por esses segmentos avançou 42% apenas entre abril e maio e acumula valorização próxima de 90% no ano.

O Brasil continua, por outro lado, concentrado em bancos, commodities, energia e consumo doméstico. São setores relevantes e capazes de entregar bons resultados em determinados momentos do ciclo econômico, mas que hoje não participam do principal tema que atrai recursos no mercado internacional.

O contraste é tão evidente que até setores que começaram o ano cercados de pessimismo conseguiram superar o desempenho brasileiro.

O segmento global de software acumulou, por exemplo, alta de cerca de 12% desde abril — três vezes mais do que a valorização registrada pela bolsa brasileira no mesmo período.

Os dados de fluxo também sugerem perda de tração. Depois de liderar os ingressos de recursos estrangeiros entre os mercados emergentes no início do ano, a B3 passou a registrar saídas líquidas em maio, refletindo a migração de parte do capital internacional para mercados mais diretamente expostos ao ciclo da inteligência artificial.

Isso não significa que o Brasil tenha deixado de ser atrativo. O país continua oferecendo juros elevados, empresas negociadas a múltiplos relativamente baixos e exposição a commodities estratégicas.

Mas esses atributos deixaram de ser suficientes para garantir o protagonismo observado nos primeiros meses do ano.

Para a WHG, o desafio daqui para frente é claro: enquanto inteligência artificial, semicondutores e infraestrutura digital continuarem dominando a agenda dos investidores, o Brasil terá dificuldade para acompanhar o ritmo do rali global.

Para voltar ao grupo dos favoritos, será preciso que o mercado encontre novos catalisadores ou que os investidores passem a olhar para temas além da tecnologia.

Por ora, o dinheiro global parece ter escolhido outro destino.

E o Brasil, que começou o ano entre os queridinhos dos investidores, corre o risco de assistir de fora à fase mais intensa da recuperação dos mercados internacionais.

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