Brasileiros lançam livro em que falam da imigração segura e planejada, sem romantismo | Imigração

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Ser imigrante em qualquer país requer muita resiliência e um bom planejamento para que o sonho de uma vida melhor não se transforme em pesadelo. E foi no sentido de conscientizar aqueles que pensam em viver no exterior que o CEO da Aliança Global Group, Fábio Knauer, com quase dez anos de atuação na área de imigração, cidadania e vistos internacionais, decidiu lançar, em parceria com o escritor Aleff Amorim, o livro Somos Todos Imigrantes.

A obra propõe um olhar consciente, realista, seguro e planejado sobre a vida de imigrante. Disponível em versão impressa e também digital na Amazon, para leitores do Brasil, Europa e Estados Unidos, o livro reúne experiências reais, orientações práticas e reflexões sobre os impactos emocionais, financeiros e familiares enfrentados por brasileiros ultrapassaram as fronteiras do país.

A publicação começou a ser desenvolvida há cerca de um ano. O objetivo central da obra é evitar a romantização da imigração e apresentar um panorama mais realista sobre os desafios envolvidos na mudança de país. Ao longo dos capítulos, o livro aborda temas como documentação, cidadania, vistos, planejamento financeiro, custo de vida, mercado de trabalho, construção de patrimônio, adaptação cultural, saúde mental e formação de rede de contatos.

Técnico, mas real

A obra mistura conteúdo técnico com relatos pessoais e depoimentos de brasileiros espalhados pelo mundo, trazendo experiências de sucesso, dificuldades financeiras, crises emocionais e episódios de preconceitos. Ao final de cada capítulo, os autores apresentam a história real de um imigrante.

Os relatos foram escritos pelas próprias pessoas e ajudam a ilustrar diferentes realidades vividas por brasileiros em diversos países. “Cada história é única. Essa é a temática do livro. Cada família tem os seus motivos, que precisam ser respeitados. E o livro começa justamente com os motivos do Aleff”, destaca Knauer.

Segundo ele, a publicação oferece um direcionamento seguro para quem pretende deixar o Brasil. O livro discute os motivos que levam cada pessoa a buscar uma vida em outro país e, a partir daí, conduz o leitor por um processo de análise sobre os pilares considerados essenciais para uma imigração bem-sucedida. Entre eles estão o planejamento financeiro, a preparação documental, a estabilidade emocional, a escolha da moradia e a recolocação profissional.

Falta de preparação adequada

Knauer afirma que um dos principais problemas observados ao longo dos anos é o alto número de brasileiros que deixam o país sem qualquer preparação adequada. “Hoje, vivemos um tempo de informações na internet, porém, muita das vezes, essas informações são emitidas sem responsabilidade e o devido suporte. Muitas pessoas acreditam em histórias de aparente sucesso e não têm a capacidade de pesquisar a fundo. Existem os bons e os maus influenciadores, e estes sugerem para que as pessoas façam planos loucos, como, por exemplo, o de imigrar sem documentação, com apenas mil euros. O livro vai na contramão disso tudo”, diz.

A obra também chama a atenção para os riscos da imigração irregular e para as consequências enfrentadas por famílias que iniciam o processo sem planejamento. Na avaliação de Knauer, o livro procura estabelecer um “norte” para quem deseja trocar de país dentro da legalidade. Ele afirma que muitas pessoas acabam se expondo a situações de vulnerabilidade por falta de informação adequada.



Em Portugal, imigrantes são obrigados a dormir na rua à espera de atendimento para regularizar a situação documental
Paulo Pimenta

O CEO da Aliança Global defende que todo país tem o direito de estabelecer suas regras de entrada e permanência, mas ressalta a importância de haver clareza e estabilidade jurídica nos processos migratórios. “O que pedimos, sempre, é que essas regras sejam claras e que não fiquem mudando toda hora, pois o processo imigratório é longo e a pessoa que o começa agora, por exemplo, está pensando em se mudar dentro de seis meses, um ano, dois anos. Se as regras mudam toda hora, fica muito difícil para a pessoa”, afirma.

Para ele, muitas famílias abrem mão de patrimônio, empresas, empregos e estabilidade financeira para tentar recomeçar em outro país, o que exige segurança e previsibilidade das legislações migratórias. O consultor também critica discursos políticos que associam imigração à criminalidade e afirma que parte da população imigrante tem sido alvo de preconceito em alguns países europeus.

“Não é pelo fato de existirem pessoas que cometem crimes que todo imigrante é criminoso. Essa é, então a nossa luta: separar as coisas. As regras precisam ser claras: o país não deve aceitar aqueles que têm antecedentes criminais, e isso está ok”, destaca Knauer. E complementa: “Mas não se pode colocar todo imigrante dentro de uma mesma caixa. Infelizmente, é o que tem sido feito por alguns partidos políticos na Europa e nos Estados Unidos. Somos contra isso. Desde que o mundo é mundo, existe imigração. E o imigrante precisa ser respeitado”, frisa.

Saúde mental

Outro ponto destacado na publicação é a importância da saúde mental durante o processo de adaptação. Os autores abordam o impacto psicológico provocado pelo distanciamento familiar, pelas dificuldades de integração e pelas pressões financeiras enfrentadas nos primeiros anos fora do país. A obra também traz orientações práticas e contatos de apoio para pessoas que enfrentam crises emocionais durante a experiência migratória.

A escolha do local de moradia aparece como um dos fatores determinantes para o sucesso da imigração. Segundo Knauer, muitos brasileiros acabam comprometendo grande parte da renda ao escolher regiões centrais e de alto custo, o que dificulta a permanência no exterior. “Por exemplo: se a pessoa procura a região central de uma grande cidade, ela eleva seu custo de vida e isso pode dificultar sua manutenção no país. Dependendo, então, da escolha da moradia, isso pode prejudicar o sucesso imigratório”, assinala.

Além dos aspectos técnicos, o livro dedica espaço para discutir os motivos emocionais que levam milhares de brasileiros a deixarem o país. Segundo o autor, muitos enxergam a imigração como uma oportunidade de recomeço, segurança e reconstrução familiar.

“Muitas vezes a pessoa muda de país por uma questão de fé, de uma vida melhor, e isso é um tópico importante dentro desse contexto da imigração: a expectativa, a esperança de vida melhor, de viver novas coisas, um recomeço. E esse é um pilar bem interessante. Outras pessoas mudam para ter mais segurança ou por questões profissionais ou meramente econômicas, mas é muito interessante esse pilar da fé no processo imigratório, e é algo que escuto de muitas famílias imigrantes ao longo desses anos”, relata.

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