Pete Souza / White House / Wikimedia
Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU)
Portugal foi eleito membro não permanente do Conselho de Segurança: “A oportunidade é particularmente relevante”.
Portugal vai ser um dos países membros não permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
A eleição decorreu nesta quinta-feira, através de votação secreta. Portugal, Alemanha e Áustria eram os 3 países que concorriam às 2 vagas para a Europa Ocidental, uma para 2027 e outra para 2028.
Portugal venceu: 134 votos, 131 para a Áustria e 104 para a Alemanha. Será a quarta passagem para Portugal, pelo Conselho de Segurança da ONU – mas foi a primeira vez que venceu logo à primeira volta.
“Para Portugal, voltar ao Conselho de Segurança das Nações Unidas representa uma oportunidade de estar presente no órgão mais importante do sistema internacional em matéria de paz e segurança”, começa por reagir Daniel Cardoso, especialista em relações internacionais.
“A oportunidade é particularmente relevante dado o nível de tensão que marca as relações internacionais atuais, incluindo a crescente competição entre grandes potências que tem colocado o Conselho sob enorme pressão e, muitas vezes, em situação de bloqueio”, continua, no 24notícias.
Na prática, explica Daniel, Portugal não vai poder vetar mas vai poder votar e influenciar: “Portugal não terá veto, mas terá voto, voz e capacidade de influenciar a agenda, redigir resoluções e presidir ao Conselho durante um mês do mandato. O poder decisório é limitado, mas longe de ser despiciendo”.
A diplomacia portuguesa também deverá beneficiar, com consultas informais, reuniões formais frequentes – experiência, redes de contactos e capacitação técnica.
E Portugal ganhou a votação porquê? “Portugal apresentou-se como um país construtor de pontes, defensor do multilateralismo e do direito internacional, diplomático e com projeção que vai muito além da sua região — através da União Europeia, da CPLP, da NATO”. E a aposta na transição energética e na ação climática também terá ajudado.
Derrota histórica
O Conselho de Segurança das Nações Unidas tem 15 membros. Os 5 permanentes são EUA, Rússia, China, França e Reino Unido. Os outros 10, que não são permanentes, são eleitos por mandatos de dois anos, renovados de forma faseada.
Entre esses 10 membros esteve sempre a Alemanha. Até 2026.
A vitória de Portugal, aliada ao segundo lugar da Áustria, deixou a Alemanha fora do Conselho de Segurança da ONU. Nunca tinha acontecido, salienta o Euronews.
O jornal alemão Handelsbatt não esconde: é uma derrota histórica para a Alemanha – que é o 4.º país que contribui mais financeiramente para a ONU, superado apenas por EUA, China e Japão.
Uma derrota que atinge particularmente o chanceler Friedrich Merz e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul. Os dois tinham anunciado que iriam colocar a Alemanha com outra força no cenário internacional, num regresso ao topo das decisões. Neste contexto, não vai acontecer.
“Esta derrota embaraçosa da Alemanha vai para o currículo do chanceler Merz e do ministro Wadephul”, resumiu Agnieszka Brugger, vice-líder do partido Verdes.
O Observador acrescenta que o Conselho de Segurança é o único órgão da ONU que pode tomar decisões vinculativas do ponto de vista legal com efeitos sobre os seus Estados-membros (sanções e uso da força). Nos tempos mais recentes, toma decisões sobre a guerra na Ucrânia ou em Gaza.
E a posição da Alemanha, precisamente sobre Gaza, terá sido um obstáculo nesta votação na ONU: ao contrário de vários aliados europeus, a Alemanha ainda não reconheceu formalmente a Palestina como um Estado independente, mantendo o foco negocial na solução de dois Estados.
O Handelsblatt deixa ainda uma nota sobre Portugal: o país terá ganhado uns pontos devido às suas boas relações, e históricas, com países de África e América Latina.
Nuno Teixeira da Silva, ZAP //
Crédito: Link de origem