O verdadeiro time de guerreiros na Copa

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  • O técnico francês Sébastien Migné, que nunca esteve no Haiti, liderou a seleção haitiana na classificação para a Copa de 2026.
  • A equipe garantiu a vaga ao vencer a Nicarágua por 2 a 0 em Willemstad, Curaçao, após a fase de classificação ter sido disputada fora do país devido à crise política.
  • Os dois últimos amistosos foram realizados em Toronto, Canadá: derrota por 0 a 1 contra a Tunísia e empate por 1 a 1 com a Islândia.
  • O Haiti já havia participado de uma Copa do Mundo em 1974, quando perdeu para Itália, Polônia e Argentina.

O técnico francês Sebastien Migne classificou o Haiti para a Copa e vai comandar a seleção sem nunca ter estado no Haiti. É o verdadeiro time de guerreiros.

Por causa da crise política no país, aliás, o Haiti não jogou no Haiti na fase de classificação. Fez a festa em Willemstad, Curaçao, quando se classificou depois de derrotar a Nicarágua, por 2 a 0.

Os dois amistosos mais recentes foram em Toronto, no Canadá (0 a 1 para a Tunísia e 1 a 1 com a Islândia).

O ano de 2026 não marca a estreia do Haiti em uma Copa: o país participou em 1974, quando perdeu de virada para a Itália (3 a 1) e tomou goleadas da Polônia (7 a 0) e Argentina (4 a 1).

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O desfile dos brasileiros em Porto Príncipe. Nações Unidas

Reencontro com o Brasil

Em agosto de 2004, desembarquei em Porto Príncipe para testemunhar um amistoso que entrou para a História do Haiti.

A seleção do Brasil, com Ronaldo e tudo, participou do chamado “Jogo da Paz”.

À época, o Brasil comandava uma força de paz das Nações Unidas.

O presidente Lula e a primeira-dama Marisa estavam no estádio.

Os brasileiros venceram por 6 a 0, mas o destaque nem foi este.

Partindo do aeroporto, a seleção viajou em blindados Urutu até o estádio. As ruas estavam apinhadas de gente.

Depois do desfile, Ronaldinho Gaúcho fez três gols e levou os torcedores ao delírio.

Aos 5 anos de idade então, o hoje zagueiro Martin Expérience espera que Ronaldinho esteja no estádio para ver Brasil x Haiti, dia 19 de junho, na Filadélfia:

Meu jogador favorito de todos os tempos é o Ronaldinho, então sempre tive um carinho enorme pelo Brasil. Quando você enfrenta os brasileiros, percebe que está diante de uma das três melhores seleções do futebol mundial.

Terremoto e política

A crise que levou à intervenção da ONU — e ao “jogo da paz”–  foi causada pela derrubada do popular presidente Jean-Bertrand Aristide, em fevereiro de 2004.

Grupos paramilitares atacaram o governo a partir da fronteira com a República Dominicana.

Estados Unidos e França, que exercem forte influência sobre o Haiti, fizeram que não era com eles.

A situação levou um longo tempo para estabilizar.

Em 2010, um terremoto de 7 pontos na escala magnitude de momento devastou a capital Porto Príncipe. O epicentro foi a 25 quilômetros da cidade. A tragédia matou 150 mil pessoas e mergulhou o Haiti numa situação caótica.

Mais recentemente, em 2021, o presidente Jovenel Moïse foi assassinado e facções criminosas assumiram o controle de 90% de Porto Príncipe.

A falta de vôos internacionais e danos ao estádio nacional de Porto Príncipe justificaram o “exílio da seleção”.

Muito perigoso

O técnico francês Sebastien Migne, que já treinou Congo, Quênia e Guiné Equatorial, explicou:

É impossível porque é muito perigoso.

De fato, assassinatos e sequestros são corriqueiros.

Nascido na França, o veterano goleiro e capitão do time, Johny Placide, que joga no Bastia, disse que o futebol serve de atenuante:

Hoje, somos um povo que sofre – a vida no Haiti não é fácil. Quando decidi entrar para a seleção nacional, meu objetivo era levar alegria às pessoas que sofrem diariamente através do futebol. Esse é um poder extraordinário.

A camiseta da seleção celebra a histórica Revolução Haitiana, em que os escravizados se levantaram contra a França e conquistaram a independência, em 1804.

O grupo do Haiti na Copa é uma pedreira: Escócia, Marrocos e Brasil.

As casas de apostas cravam Haiti, Curaçao e Jordânia como as seleções mais distantes de uma vitória em 2026.

Porém, não digam isso em Porto Príncipe: apesar de décadas de profunda crise política e econômica, os haitianos sabem como ninguém fazer uma festa e arrancam alegria de pedras.


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