“Se for ver a percentagem da população africana que vive na África do Sul, são só 4%, se for ver a população que está detida por crime (…) a nossa população africana não atinge mais de 6%, então, o que quer dizer que realmente o problema não é esse, de ter africanos lá na África do Sul, o problema é parte económica e social, o desemprego”, disse Maria Lucas, ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação moçambicana, em Maputo.
A África do Sul tem registado manifestações e tensões sociais visando migrantes, sendo que, no início do mês, uma marcha contra a imigração culminou em ataques a negócios de estrangeiros na província do Cabo Oriental, este do país.
Segundo a governante moçambicana, a solução para crise não é policial ou militar, mas é o desenvolvimento económico dos países “para poder dar-se emprego”.
“A África do Sul está a criar uma zona económica especial na fronteira. Do lado sul-africano, o projeto está numa fase bastante avançada e houve agora consenso para a sua extensão ao lado moçambicano e ao de Essatíni”, disse, acrescentando que a zona económica especial tripartida deverá impulsionar o desenvolvimento regional, tendo em conta que muitos moçambicanos se deslocam para a África do Sul em busca de emprego.
Na terça-feira, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, garantiu, na África do Sul, que não há registo de cidadãos nacionais mortos ou feridos em incidentes relacionados com xenofobia naquele país vizinho, criticando a circulação de informações falsas nas redes sociais.
“A informação que nós temos até agora oficial é que não há nenhum moçambicano que ficou afetado por esta situação e nós vamos continuar a monitorar”, disse o chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo, em Pretória, ao fazer o balanço da visita à aquele país vizinho.
As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul. Inúmeras comunidades de imigrantes foram repatriadas pelos próprios países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de duras críticas internacionais por xenofobia.
Chapo manifestou “profunda preocupação” com os atos de violência e intolerância dirigidos contra estrangeiros africanos, incluindo moçambicanos residentes na África do Sul, tendo expressado a sua confiança no Governo daquele país, indicando que vai assegurar a proteção dos que lá residem.
O Presidente moçambicano pediu “calma e serenidade” aos nacionais na África do Sul, prometendo esforços contínuos para a retoma da estabilidade e paz.
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