Lisboa, 12 mai 2026 (Lusa) — A Comissão Permanente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) reafirmou hoje o propósito de organizar o XI congresso para a escolha da nova direção no segundo semestre deste ano.
Aquele órgão do histórico partido da libertação da Guiné-Bissau já tinha recomendado a fixação da data “entre os finais de junho e princípios de julho de 2026” e reafirmou a pretensão numa reunião online realizada hoje.
Segundo um comunicado divulgado na página oficial do PAIGC, a Comissão Permanente reitera “o propósito de organizar o XI Congresso do Partido no segundo semestre de 2026” e decidiu criar e instruir uma Comissão Nacional Preparatória para dar início aos trabalhos de preparação.
A tomada de posição surge depois do cancelamento de um congresso paralelo anunciado para 09 e 10 de maio pela oposição interna à atual direção, constituída por dirigentes que integram o Governo de transição e que se auto-intitulam Grupo de Reflexão para a Renovação e Salvação do PAIGC.
O XI Congresso do partido deveria ocorrer em novembro de 2026, mas a direção pretende antecipar a data, depois de os militares que tomaram o poder no golpe de Estado de novembro de 2025 terem anunciado a realização de eleições gerais no país a 06 de dezembro.
O golpe de Estado interrompeu o anterior processo eleitoral, presidenciais e legislativas, que decorreram a 23 de novembro de 2025 e no qual o candidato da oposição, Fernando Dias, reclamou vitória na primeira volta sobre o então Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, que se candidatou a um segundo mandato.
O PAIGC e o líder, Domingos Simões Pereira, foram afastados das eleições, por decisão judicial, e apoiaram Fernando Dias.
Simões Pereira foi detido no golpe militar e, depois de dois meses na cadeia, encontra-se em prisão domiciliária.
A Comissão Permanente do PAIGC, reitera, no comunicado divulgado hoje, “a exigência de libertação plena e incondicional do presidente do partido, camarada Domingos Simões Pereira”, argumentando que o mesmo “se encontra sequestrado há seis meses, com restrições abusivas da sua liberdade”.
Exige ainda “a reabertura da sede nacional do PAIGC e de todas as sedes regionais para que o partido possa retomar plenamente o exercício das suas atividades políticas”.
O PAIGC acusa e condena as autoridades por alegadas “violações sistemáticas dos direitos e das liberdades dos dirigentes políticos não alinhados” com o regime e reclama “o fim da impunidade aos responsáveis por esses atos”.
A Comissão Permanente do PAIGC insiste, também, “na conclusão, o mais rapidamente possível, da investigação ao assassinato do cidadão e ativista Vigário Luís Balanta” e na apresentação “à justiça dos executores e mandantes do hediondo crime”.
*** A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância ***
HFI // MLL
Lusa/Fim
Crédito: Link de origem