O presidente americano, Donald Trump, sugeriu neste domingo, 13, que os Estados Unidos podem permanecer no Irã e “ficar com o petróleo”, traçando um paralelo com um acordo firmado com a Venezuela que garante a Washington o controle de reservas de petróleo do país sul-americano.
“No final das contas, vamos sair (do Irã), a menos que decidamos permanecer e ficar com o petróleo, como na Venezuela”, afirmou o republicano durante uma viagem à Irlanda.
O ocupante do Salão Oval afirmou ainda que o preço da gasolina “cairia vertiginosamente” assim que a guerra no Irã terminasse, acrescentando que a receita dos EUA proveniente da Venezuela “pagou a guerra muitas vezes”.
O Estreito de Ormuz, por onde passavam 20% das exportações mundiais de petróleo e gás natural liquefeito antes da guerra, está praticamente paralisado pelo Irã desde o começo do conflito no Oriente Médio. No domingo 13, os países do Golfo adiaram uma reunião com o Teerã sobre a gestão da estratégica rota marítima por falta de consenso, enquanto os rebeldes hutis do Iêmen anunciaram nesta segunda-feira que lançaram “dezenas de mísseis balísticos e drones” contra alvos militares no sul da Arábia Saudita. Os dois movimentos aumentam a preocupação com o fornecimento global de petróleo.
Acordo com a Venezuela
No fim de agosto, o presidente americano anunciou um acordo que garante aos EUA o controle de reservas de petróleo da Venezuela equivalentes a 65 bilhões de barris, ou cerca de 21% de todo o petróleo do país. O país sul-americano possui a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, estimada em cerca de 303 bilhões de barris.
O acordo prevê uma parceria entre o governo americano, empresas privadas e o governo venezuelano para desenvolver 17 campos de petróleo. A administração Trump afirma que a iniciativa poderá atrair cerca de US$ 100 bilhões em investimentos e ampliar a produção venezuelana, hoje limitada pela deterioração da infraestrutura e pela falta de investimentos.
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, contestou o acordo, afirmando que os recursos naturais do país não pertencem a um “regime ilegítimo”, se referindo ao governo liderado pela presidente interina Delcy Rodríguez desde a captura, por forças americanas, do ditador venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro.
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