“Somos a mesma família”: Buraka Som Sistema celebra Angola, Portugal e Brasil no Coala Festival

O Buraka Som Sistema levou a sua mistura de kuduro, música eletrônica e sonoridades africanas ao Coala Festival, no Memorial da América Latina, em São Paulo, no último sábado (12). Em sua 12ª edição, o festival reuniu nomes como Maria Bethânia, Emicida, Marcos Valle, Ana Frango Elétrico, Cícero, Duda Beat e Zeca Veloso, além do retorno do grupo português ao Brasil. Logo no início da apresentação, o escritor e músico angolano Kalaf Epalanga, integrante e cofundador da banda, avisou ao público que não seria um show convencional com instrumentos acústicos. A energia eletrônica marcou a apresentação, que também representou a conexão entre Angola, Portugal e Brasil.

Buraka Som Sistema vai estar nos cinema em 2028. Crédito: Divulgação.

Formado em Lisboa, em 2006, o Buraka Som Sistema ajudou a levar o kuduro e outras sonoridades afro-eletrônicas para além de Angola e Portugal. A formação que voltou aos palcos neste ano reúne Kalaf Epalanga, Branko (João Barbosa), Riot (Rui Pitá), Conductor (Andro Carvalho) e Blaya (Karla Blaya). Para Kalaf, a própria trajetória da banda nasceu do encontro entre diferentes universos culturais.

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“Eu acho que sempre houve uma procura muito grande de tentar comunicar com todos os universos, mas não ao mesmo tempo, mas de uma forma especial. E a Buraka acabou por ser um bocado esse culminar, essa escolha dos melhores momentos e a melhor forma da nossa história, das histórias que nós passamos chegarem a ter um público que fosse de lá ou de cá”.

A relação com o público brasileiro, segundo Kalaf, passa justamente pela combinação entre as referências africanas e a música eletrônica. “A relação com a cultura africana existe. Eu acho que existe menos relação com a música eletrônica. E Buraka tem novamente um pé nas culturas africanas, mas tem o outro pé da música eletrônica. E isso, às vezes, há de um loss in translation no meio do caminho, mas isso não é problemático. Aliás, é exatamente o fator que até une as pessoas, das pessoas curiosas, das pessoas mais atentas”.

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A passagem pelo Coala é a única apresentação da atual turnê do grupo na América do Sul. Após do show, a banda resumiu a expectativa pelo reencontro com o país em uma mensagem direta: “São Paulo, esperámos muito por este encontro! Obrigado COALA FESTIVAl”.

Buraka Som Sistema no palco do Coala Festival em São Paulo. Crédito: Divulgação

A história do Buraka também vai chegar ao cinema. O romance Também os Brancos Sabem Dançar, de Kalaf Epalanga, será adaptado pela produtora portuguesa Wonder Maria Filmes, com roteiro do autor e da cineasta Fernanda Polacow. Previsto para 2028, o filme aborda migração, identidade e cultura. Para Kalaf, a adaptação reforça a ligação entre os países de língua portuguesa:

“A cultura que fala português também tem que entender que nós somos a mesma família e logo temos que nos unir, temos que nos nutrir, temos que nos apoiar”.

jordan@revistaentrerios.pt

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