Em declarações à agência Lusa, o presidente da Fundação José Carlos Schwarz (FJCS), Remna Schwarz, destacou que o artista guineense teve um grande impacto na Guiné-Bissau no período da independência ao criar “uma música moderna”, que combinava ritmos tradicionais e contemporâneos, permitindo transmitir “a força da palavra dos revolucionários e de Amílcar Cabral para reivindicar os direitos do povo” guineense.
Sobre a escritora Teresa Schwarz, que foi a esposa do artista guineense, o presidente e filho dos artistas lembrou que, embora ela “na altura não [estivesse] pronta para ser artista”, teve um papel fundamental como “lutadora pela independência”.
“Nesta altura, ela não estava pronta a ser artista, mas foi uma acompanhante e não podemos esquecer o valor acrescentado durante essa luta pela libertação com as mulheres”, declarou, destacando o papel feminino como “força motriz” do processo de libertação.
Teresa Schwarz, durante o seu percurso artístico, foi influenciada por José Carlos Schwarz, tendo criado a fundação “para ajudar pessoas que querem entrar dentro da cultura e querem se expressar através da arte, mas de uma forma construtiva pela nação”.
“A Tereza Schwartz é cabo-verdiana, mas ela depois foi completamente conquistada pela Guiné-Bissau e recebeu as honras, enquanto lutadora pela independência, e a sua nacionalidade guineense também. Ela sempre lutou e viveu pela Guiné-Bissau e estava nos últimos anos da sua vida [no país]”, explicou.
Questionado sobre a influência destes artistas nas novas gerações, Remna Schwarz citou os casos de Manecas Costa, que atribui a sua maneira de tocar guitarra a José Carlos Schwarz, e Karyna Gomes, que é influenciada por ambos no plano musical e nas suas posições sobre a liberdade, independência e força das mulheres na Guiné-Bissau e na sociedade civil.
O espetáculo reúne em palco os artistas guineenses Remna Schwarz, Karyna Gomes e Manecas Costa no B.leza, em Lisboa, espaço classificado pelo presidente da fundação como um “sítio mítico” e o local ideal para esta manifestação cultural por ser um ponto “de cruzamento das línguas africanas portuguesas e aberta a outras culturas”.
“Vamos tentar fazer um concerto muito especial em termos de reinterpretação da forma mais autêntica do repertório de José Carlos Schwartz”, declarou, concluindo que a iniciativa é importante porque demonstra que a Guiné-Bissau tem “uma grande obra e uma grande musicalidade”.
“Os três nomes mencionados fazem parte da geração de muitos artistas da Guiné-Bissau que foram influenciados pela obra do José Carlos Schwarz, juntam-se pela terceira vez para homenagear o seu trabalho discográfico”.
A primeira foi em Faro sob a curadoria de Kalaf Epalanga e a segunda no festival Língua Terra, segundo a organização do evento, acrescentando que “a luta da libertação deu fruto a uma nova geração de músicos com os olhos mais abertos no contexto sócio-político”.
Além deste concerto, a Fundação José Carlos Schwarz, no âmbito das comemorações da independência da Guiné-Bissau, auto-proclamada em 24 de setembro de 1973, vai realizar outras iniciativas que incluem leituras de poemas e de trechos das obras literárias de Teresa Schwarz, em parceria com a Casa da Cultura da Guiné-Bissau.
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