Os guineenses residentes no país foram, este domingo (30.08), chamados a votar para aprovar ou rejeitar a entrada em vigor da nova Constituição da República validada pelo Conselho Nacional de Transição (CNT).
As assembleias de voto abriram, na sua maioria, às 7 horas e encerraram às 17 horas, tempo de Bissau.
Durante o processo, todas as fronteiras da Guiné-Bissau foram encerradas até às 18:00 deste domingo e, durante o dia de hoje, a circulação de cidadãos em viaturas esteve também interditada até à mesma hora.
A votação decorre num contexto marcado pelo apelo ao boicote ao referendo constitucional por setores que contestam o processo de transição e a legitimidade da consulta popular.
CNE faz balanço positivo
A afluência às urnas nas primeiras horas foi reduzida em diferentes zonas da capital guineense, mas também em algumas localidades do interior. Segundo apurou a DW, em várias mesas de voto a participação ficou muito abaixo do número de inscritos.
Contundo, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) faz um balanço positivo considerando que foi registada “uma afluência significativa dos eleitores em algumas regiões e razoável noutras”.
O ponto de situação das primeiras cinco horas de votação em todo o território nacional foi feito esta tarde pelo secretário executivo da CNE. Idrissa Djaló não avançou, contudo, uma “taxa consolidada da participação” dos eleitores.
“As informações disponíveis indicam que os cidadãos estão a exercer o seu direito de voto de forma ordeira”, avançou Djaló acrescentando que o ambiente geral nos locais de votação e nas imediações foi “caracterizado pela calma, tranquilidade e civismo”.
Presidente de transição deixa apelo aos jovens
O Presidente de Transição, general Horta Inta-a, votou pouco depois das 10 horas locais, numa das mesas de assembleia de voto, no bairro de Luanda, em Bissau. O líder de transição apelou à participação massiva da população no referendo constitucional, rejeitando os apelos ao boicote que circulam no país. Horta Inta-a dirigiu-se em particular aos jovens.
“Vim exercer o meu dever como cidadão guineense. Apelo a todos os cidadãos guineenses, principalmente os jovens, para que não aceitem que continuemos a adiar o nosso futuro”, salientou.
Horta Inta-a deixou claro que “esta não é uma questão partidária”. “É o país que estamos a defender. Quando se anda num caminho e está-se sempre a tropeçar, muda-se”, complementou.
O general afirmou que muitos cidadãos disseram que não iam votar porque o processo visa permitir o regresso ao país de Umaro Sissoco Embaló. Mas enfatizou que o ex-Presidente, assim como os antigos primeiros-ministros, Braima Camará e Domingos Simões Pereira, “são cidadãos guineenses” e que a Guiné-Bissau “é a terra deles”.
Já o primeiro-ministro de transição apelou à participação dos cidadãos e destacou a importância de os guineenses exercerem o seu direito de escolha neste processo. Segundo Ilídio Vieira Té, a nova constituição pode minimizar os conflitos entre as instituições da República “que apontam como um dos fatores das sucessivas instabilidades no país”.
Com o encerramento das urnas, segue-se agora a contagem dos votos e o apuramento dos resultados. Segundo a Lei do Referendo, a CNE deve publicar os resultados em até sete dias.
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