O processo tem sido marcado por uma fraca participação popular, de acordo com relatos de vários órgãos de comunicação social locais, consultados pela Lusa nas redes sociais.
Em declarações transmitidas nas redes sociais de órgãos de comunicação social guineenses, Horta Inta-a afirmou que muitos cidadãos se negam a votar com o argumento de que o processo tem como objetivo permitir o regresso ao país de Umaro Sissoco Embalo, Presidente que o próprio depôs num golpe de Estado em novembro passado.
O general enfatizou, contudo, que o ex-presidente, habitualmente exilado em Marrocos, como os antigos primeiros-ministros, Braima Camará, e Domingos Simões Pereira, “são cidadãos guineenses”.
“Umaro é cidadão guineense, Braima Camará é cidadão guineense e o DSP [Domingos Simões Pereira] também é cidadão guineense. Aqui é a terra deles, podem cá viver”, destacou Horta Inta-a.
Braima Camará e Domingos Simões Pereira vivem atualmente em Portugal.
O Presidente guineense de transição aproveitou o momento em que votou para reforçar o apelo aos cidadãos para que façam o mesmo “para o bem do país” e destacou que a nova Constituição irá beneficiar a juventude do país.
“Como cidadão, vim exercer o meu dever cívico. Apelo a todos os cidadãos deste país, principalmente aos jovens, que não deixemos que os políticos continuem a adiar o nosso futuro”, declarou Inta-a após exercer o direito de voto num centro de votação em Bissau.
Numa altura em que se multiplicam apelos públicos para que os eleitores fiquem em casa e ignorem o sufrágio, o general Horta Inta-a foi direto na resposta aos críticos: “Não ouçam o apelo daqueles que vos pedem para ficar em casa”.
Insistindo que o ato eleitoral serve os interesses estratégicos da nação e não de partidos políticos, Horta Inta-a socorreu-se de uma metáfora popular guineense para justificar a necessidade de mudança institucional: “Se andas pelo mesmo caminho e estás sempre a tropeçar, tens de mudar de caminho.”
O militar apontou a instabilidade governativa e o ambiente de confrontação institucional como os principais travões ao desenvolvimento socioeconómico do país.
“Queremos acabar com querelas no parlamento, para que o partido que vencer as eleições consiga governar sem interrupção”, sustentou, advertindo que, caso o clima de conflito persista, “nenhum investidor vem cá investir”.
Apelando, sobretudo, à juventude guineense, que representa a fatia dominante do eleitorado, o general concluiu com uma reflexão sobre a responsabilidade geracional perante o escrutínio.
“Nós, que estamos aqui a falar, já vivemos alguns anos da nossa vida, o que nos resta viver depende da vontade de Deus. Este referendo é do interesse do nosso país”, disse.
Os militares protagonizaram um golpe de Estado um dia antes da publicação dos resultados de eleições legislativas e presidenciais, afastaram do poder o então Presidente eleito, Umaro Sissoco Embaló, e fizeram aprovar uma nova Constituição que reforça os poderes do chefe de Estado.
A oposição considerou que se tratou de um “golpe de Estado cerimonial” para permitir que Sissoco Embaló regresse ao poder através de novas eleições presidenciais e legislativas marcadas pelos militares para 06 de dezembro.
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