Espécie rara de peixe de 254 milhões de anos é achada próxima à maior cratera de asteroide da América do Sul em Araguainha

Pesquisadores localizaram em Araguainha, cidade no sudeste de Mato Grosso e a 472 km de Cuiabá, uma espécie de peixe — até então desconhecida pela ciência — que viveu onde hoje é Mato Grosso há cerca de 254 milhões de anos. A rara descoberta foi feita próxima à maior cratera de asteroide da América do Sul, o que chamou ainda mais a atenção dos pesquisadores.

Batizado de Leolepis matogrossensis, o animal media aproximadamente 15 centímetros e teve quase todo o corpo preservado.

Espécia rara de peixe desconhecida pela ciência foi achada próxima da maior cratera de asteroide em cidade de Mato Grosso. – Foto: Reprodução/Journal of South American Earth Sciences

O achado é considerado raro porque fósseis de peixes dessa época encontrados no Brasil costumam aparecer apenas em partes, como dentes, escamas e fragmentos de ossos. O peixe viveu no fim do Permiano, pouco antes da maior extinção em massa conhecida da história da Terra.

Publicado em julho deste ano no Journal of South American Earth Sciences, o estudo aponta que esse é o peixe do Permiano — último período geológico da Era Paleozoica — mais bem preservado já encontrado em Mato Grosso.

O Leolepis viveu em uma região ocupada por um grande ambiente de água doce. Com o fóssil quase completo, os pesquisadores conseguiram analisar partes do crânio, das mandíbulas e das escamas e comparar o animal com outros peixes antigos.

No estudo, os autores afirmam que o Leolepis viveu antes da colisão do asteroide que formou a cratera e que as rochas onde o fóssil foi encontrado não foram diretamente alteradas pelo evento.

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Domo de Araguainha, próximo de onde a espécie rara de peixe foi achada, surgiu há cerca de 250 milhões de anos após um asteróide atingir a terra. – Foto: Reprodução/ Prefeitura de Ponte Branca

Apesar de o estudo ter sido publicado apenas neste ano, o exemplar foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira e hoje faz parte da coleção paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.

O nome da nova espécie também faz referência à história do achado: Leolepis homenageia Léo Adriano de Oliveira, enquanto matogrossensis remete ao estado onde o fóssil foi encontrado.

Domo de Araguainha

Considerada a maior cratera de impacto da América do Sul, com um diâmetro de 40 km, é uma das poucas do mundo completamente preservada. É um dos “100 sítios que são patrimônio geológico”, pela UICG (União Internacional das Ciências Geológicas).

Com 1.006 habitantes, Araguainha é o 4° menor em população no Brasil. A cidade está na divisa com o estado de Goiás.

Com informações de g1.

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