Portugal encara o próximo Campeonato do Mundo com a ambição máxima de “tentar conquistar tudo”, garantiu esta tarde o lateral-direito Nélson Semedo em conferência de imprensa na Cidade do Futebol esta quarta-feira. O internacional português sublinhou que, embora a Seleção Nacional tenha uma “grande equipa”, o talento por si só não basta para atingir a “luz ao fundo do túnel”, sendo fundamental manter os “pés assentes no chão” e encarar a prova “jogo a jogo”, focando todas as atenções na partida de estreia. “Somos Portugal, mas só isso não chega”, sublinhou.
Questionado sobre a opção de Roberto Martínez em convocar cinco laterais, Semedo explicou que se trata de uma posição de grande desgaste, especialmente face às altas temperaturas e fusos horários esperados na América do Norte. Para sustentar esta necessidade de rotação, o jogador recordou o exemplo de Nuno Mendes, que enfrentou uma sequência ininterrupta e exaustiva de competições entre clube e seleção. Sobre a concorrência interna pelas alas, o defesa defendeu que a competitividade dentro do grupo “só traz coisas boas”, obrigando todos os atletas a darem o máximo, independentemente de jogarem “um minuto ou 90”.
Apesar de considerar a atual convocatória uma “geração espetacular”, Nélson Semedo fez questão de manifestar o seu respeito pelas gerações passadas, citando nomes como Rui Costa e João Pinto — presente na sala — para ilustrar que Portugal sempre produziu equipas de excelência. Para o próprio jogador, a presença nesta fase final é descrita como a “cereja no topo do bolo” e um “sonho tornado realidade”, especialmente por ter “perdido a carruagem” para o Mundial do Catar. Semedo aproveitou para recordar o seu percurso, desde os 18 anos no Sintrense até alcançar as 50 internacionalizações e passar por alguns dos maiores clubes do mundo.
Num plano mais emocional, o lateral descreveu esta edição como o “Mundial perfeito” por também contar com a presença inédita de Cabo Verde. Com raízes no país africano, o jogador revelou ter acompanhado os “Tubarões Azuis” presencialmente num amigável recente em Belém, contra a Sérvia, e confessou o desejo de encontrar a seleção cabo-verdiana numa eventual final.
Nélson Semedo partilhou ainda a sua experiência de adaptação tática, lembrando que a sua mudança de médio para lateral no Benfica, sob a mão de Hélder Cristóvão, foi a “melhor coisa” que lhe aconteceu. O defesa aproveitou esta ponte para elogiar a adaptação de Matheus Nunes no Manchester City, referindo que certas alterações posicionais são “males que vêm por bem” para a afirmação em grandes palcos, como pode ser o caso deste Campeonato do Mundo.
Quando confrontado com os rumores de uma possível transferência ou um regresso ao Benfica, o clube que assumiu apoiar, Semedo foi perentório ao afastar o tema, afirmando que “não é pertinente responder a isso agora” e que o foco do grupo está totalmente centrado na missão da Seleção Nacional.
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