Goleada lusa teve apoio em Cabo Verde e já se imagina frente a frente

“Aqui, Portugal ficou em segundo lugar, porque, agora, é tempo de Tubarões Azuis. Portugal passou a ser a segunda equipa de Cabo Verde”, diz Aleixo Varela, ao ver o jogo da equipa portuguesa numa esplanada da baixa da cidade da Praia.

Sem eventos ou locais específicos para acompanhar os jogos da seleção portuguesa, são cafés, bares e esplanadas que servem de ponto de encontro para vários grupos se juntarem frente ao ecrã.

O empate com a República Democrática do Congo foi uma falsa partida, avalia Aleixo Varela: “Portugal ganha hoje, vai ganhar à Colômbia e apura-se. Depois, encontra-se com Cabo Verde”.

“Somos capazes de tudo, terra pequenina, mas com gente de muita coragem. Por isso, o encontro com Portugal está de pé, é só esperar pela data”, refere, angariando os sorrisos do resto do grupo.

Ali ao lado, Francisco Fernandes é um cabo-verdiano admirador incondicional de Cristiano Ronaldo.

“O meu coração é CR7 e como ele é português e joga noutro país, também apoio Portugal e a Arábia Saudita”, descreve, explicando que “vai melhorar” de rendimento, como hoje já se viu.

“Sempre que CR7 começa mal, termina bem: Cristiano é sempre Cristiano” e “Portugal é um candidato à final”, diz: “Eu quero que Cabo Verde vá o mais longe possível, mas se houver final entre Cabo Verde e CR7, eu quero que o Cristiano Ronaldo ganhe”.

Num outro bar da cidade, à beira-mar, portugueses e cabo-verdianos juntam-se noutra esplanada e festejam os golos de Portugal frente ao Uzbequistão.

Na cidade da Praia, o futebol traz ao de cima corações divididos, mas nem sempre em partes iguais.

“Dividido, mas talvez a 30% por Portugal. Arrepio-me mais com Cabo Verde”, diz Salifo Baldé, atento ao jogo.

Euclides Nunes tem mais sentimentos mistos.

“Portugal é o meu segundo país: fui para lá pequenino, servi na Força Aérea, tenho de o apoiar em conjunto com Cabo Verde. São dois corpos e um coração”, descreve, certo de que haverá “muitos cabo-verdianos a pensar da mesma maneira”.

Ao lado, Luís Tavares, outro natural das ilhas, diz que “já era altura de Cristiano Ronaldo marcar, porque a idade é só um número. Espero que marque mais”.

O difícil seria gerir as emoções num frente a frente entre o arquipélago e Portugal.

“Os dois juntos? Não há impossíveis”, conclui, apontando para o que já tem sido feito pelos Tubarões Azuis.

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