New York, New York! Olha a Copa do Povo na cidade mais famosa do Mundo! Por Ricardo Setyon – Notícias
Quem diria….
Nova Yorque dando lição de como fazer coisas….mais baratas!
A verdade nua e crua é que a cartolagem do futebol mundial tomou um nó de gravata daqueles que vão ficar para a história dos bastidores da bola.
Faltando menos de duas semanas para a bola rolar na Copa do Mundo, aquela velha empáfia de quem dita as regras do jogo do alto de suas suítes de luxo foi atropelada!
E foi atropelada por um prefeito novo, que nem 6 meses de governo completou.
Um prefeito astuto e bom de briga.
O que aconteceu nos últimos dias em Nova Iorque não foi apenas um golpe político isolado, foi um verdadeiro terremoto que destruiu a narrativa oficial: de que era impossível fazer um torneio como a Copa, acessível para o povo.
O pacto de silêncio sobre os preços abusivos dos ingressos desmoronou da noite para o dia.
E o estrago está feito.
O homem por trás desse contra ataque é Zohran Mamdani, o novo prefeito nova iorquino que assumiu o cargo no começo deste ano.
O jovem prefeito é polêmico, é socialista, tem um discurso focado na base popular e, acima de tudo, é um torcedor fanático da arquibancada, daqueles que sofrem pelo Arsenal da Inglaterra.
E que já circulou pessoalmente pelo mundo entre torcedores comuns em outras Copas.
Ele conhece o cheiro da arquibancada, o sabor do hot dog na rua, e sabe como o torcedor de verdade é esmagado pela máquina corporativa.
Mamdani olhou para o mapa da competição e percebeu a grande ironia.
E uma gigante oportunidade com a Copa: a cidade de Nova Iorque é a vitrine do planeta, mas os jogos acontecem fisicamente no estado vizinho, no MetLife Stadium em Nova Jersey.
Sabendo do peso político e financeiro que a sua metrópole tem para o sucesso do evento, ele usou isso como moeda de troca e partiu para o ataque direto contra a cúpula da FIFA.
Antes de dar o xeque mate nos ingressos, que logo logo vou contar para voces, o prefeito já vinha desenhando um plano ambicioso para democratizar a Copa dentro do seu território.
Ele anunciou a criação das chamadas PVA´s (Public Viewing Areas, que nada mais são do que áreas públicas com telões gigantes posicionados estrategicamente no coração das comunidades de imigrantes), onde a paixão pelo futebol pulsa de verdade.
Bairros como Korea Town, Little Italy e Little Haiti vão respirar o Mundial de forma viva nas periferias. De graça!
Para completar, Mamdani garantiu que todas as Fan Fests oficiais da cidade serão 100% com acesso gratuito e espalhadas por cada um dos cinco distritos nova iorquinos.A prefeitura vai pagar, e vai levar a festa para os distritos de Queens, para o Brooklyn, para o The Bronx e para Staten Island, além de cravar o evento principal de Manhattan num dos mais icônicos locais: o Rockefeller Center, bem no centro da cidade.
Para testar o apetite do público, Mamdani foi alem, mostrando sua paixão pelo Soccer:ele fez uma parceria com o time de futebol feminino da cidade, o Gotham FC, criando uma carga de bilhetes para os jogos da liga local por meros 5 dólares, cerca de 26 reais, até o fim da temporada.
O resultado foi um sucesso estonteante que provou sua tese: o povo quer consumir o esporte, desde que o preço não seja uma punição.
Agora famílias mais simples, podem ir a um jogo de futebol , como vão aos parques. Um passeio de domingo.
Acessível.
Mas o que realmente deixou a comunidade internacional de cabelo em pé foi a negociação secreta que ele fechou nesta semana.
Com algumas ligações certeiras para a governadora de Nova Jersey e uma pressão implacável sobre o presidente da FIFA, o prefeito conseguiu arrancar um pacote inédito. E inesperado.
Nada menos do que 1000 ingressos para os jogos da Copa do Mundo no MetLife Stadium por inacreditáveis 50 dólares, cerca de 260 reais, cada um!
É um valor mais que simbólico: uma afronta direta ao modelo de negócios predatório que vinha sendo empurrado goela abaixo do público nos últimos três anos.
Essa manobra do prefeito criou uma ironia daquelas de rir para não chorar.
Com essa jogada de Mamdani, os moradores de Nova Iorque vão poder ver de perto jogos de peso, incluindo a estreia da Seleção Brasileira no MetLife Stadium, pagando os mesmos 50 dólares, cerca de 260 reais.
Ingressos idênticos, estão custando para quem mora há 50 km de Nova York, ou para quem vem da Mongólia,por 1400 dólares!
O troço é um tapa na cara do torcedor que saiu lá do Brasil, ralou para juntar dinheiro, gastou uma fortuna com passagem, hotel e ingresso inflacionado, para agora ver o morador local entrar no mesmo estádio pelo preço de um sanduíche de esquina só porque foi sorteado na loteria do prefeito.
A imprensa americana, que costuma ser dócil com os grandes eventos corporativos, acordou assustada e já começou a reagir de forma contundente.
Os principais analistas e veículos esportivos do país estão questionando publicamente como isso é possível.
A grande pergunta que circula nos bastidores é o que a organização da Copa, a FIFA e os governos fizeram nos últimos trinta e seis meses?
Como nos ultimos 3 anos deixaram os torcedores do mundo inteiro estressados e desesperados diante de sistemas eletrônicos que jogaram os preços dos ingressos na estratosfera?
Estamos falando de entradas comuns que vinham sendo comercializadas no mercado de revenda oficial por 3000 dólares, cerca de 15.600 reais, 4000 dólares, cerca de 20.800 reais, e atingindo a loucura de até 7000 dólares, o equivalente a 36.400 reais, por um assento.
Ao trazer a público uma carga de bilhetes vendidos essencialmente a preço de custo, Nova Iorque escancarou a ganância e provou que a conta apresentada ao torcedor comum estava severamente inflada.
Os detalhes dessa operação popular tornam o cenário ainda mais explosivo para os organizadores do torneio.
Essa carga de ingressos a 50 dólares, cerca de 260 reais, não estará disponível para qualquer turista ou endinheirado que desembarque no país.
Os ingressos serão sorteados por meio de uma loteria pública voltada exclusivamente para pessoas que comprovem residência fixa dentro dos limites da cidade de Nova Iorque, deixando claro que o benefício é para o cidadão local que sustenta a engrenagem da cidade no dia a dia.
Para coroar o pacote, os vencedores desse sorteio ganharão também o transporte de ida e volta de Nova Iorque até o estádio em Nova Jersey de ônibus, de forma totalmente gratuita.
Essa foi uma resposta direta e ácida à outra grande polêmica que vinha gerando revolta na região: a passagem de trem para o estádio, que normalmente custa 12 dólares, cerca de 62 reais, foi reajustada de forma abusiva e oportunista para surreais 150 dólares, cerca de 780 reais, para os dias de jogos da Copa do Mundo.
Para blindar o sistema contra os cambistas e evitar que a malandragem fizesse a festa, a prefeitura montou um esquema de segurança pesadíssimo onde as pessoas sorteadas só vão receber o ingresso físico na portaria do estádio, após uma checagem rigorosa de dados biométricos e documentos de identidade, tornando a revenda ou o repasse uma impossibilidade absoluta.
A ousadia de Mamdani abriu um precedente perigosíssimo para a organização do torneio e acendeu o pavio de uma bomba relógio que agora ameaça explodir no colo dos gestores das outras sedes.
Cria se um sentimento de injustiça profunda e um ambiente perfeito para um verdadeiro tsunami de queixas, reclamações formais e manifestações populares de torcedores de outros estados americanos e de diversos países que se sentiram lesados pelo sistema.
A lógica que agora ganha as ruas é simples e demolidora: se o prefeito de uma cidade que sequer tem jogos oficiais em seu próprio território conseguiu dobrar os executivos mais poderosos do futebol e garantir ingressos dignos para o seu povo,… qual é a justificativa para o silêncio dos outros governantes?
A pressão pública agora muda de endereço e passa a sufocar os prefeitos e governadores de praças importantes como Boston, San Francisco, Los Angeles, Miami e Seattle.
Como essas autoridades vão explicar para as suas próprias populações, que pagam impostos locais elevados e viram seus governos investirem fortunas em segurança e infraestrutura para os estádios, que eles aceitaram as tarifas abusivas sem dar um pio em defesa do torcedor local?
A cobrança vai além das fronteiras americanas e atinge em cheio os comitês organizadores no Canadá, e no México, onde a disparidade cambial torna as entradas oficiais um artigo de luxo completamente inalcançável para a classe trabalhadora.
Sem que prefeitos e governadores sequer pensem em copiar o que fez Mamdani, para seus habitantes.
A canetada histórica em Nova Iorque tirou o verniz de modernidade e eficiência da organização e expôs as entranhas de um modelo que prioriza o lucro corporativo em detrimento da paixão popular.
Ao demonstrar de forma prática que um ingresso de Copa do Mundo pode ser vendido pelo preço de uma refeição moderada, o movimento político nova iorquino quebrou o feitiço e deu um banho de realidade na opinião pública internacional.
Os torcedores perceberam que o estresse financeiro dos últimos anos não era uma necessidade do mercado, mas sim uma escolha política e comercial da entidade que comanda o esporte.
O jogo mudou de figura, as cartas estão na mesa e o torcedor comum finalmente entendeu que tem o direito de exigir a sua parte na festa.
Graças a um prefeito corajoso.
Podem se preparar, pois os próximos dias serão de muita turbulência nos bastidores e nós certamente teremos muitos outros capítulos memoráveis nessa nova e eletrizante novela dos ingressos após este dramático e corajoso passo dado pelo prefeito de Nova York.
Ah….além do ingresso a 50 dolares, e do ônibus gratuito, haverá uma bolsa com sanduíche, água e uma fruta.
Tudo grátis.
E nós… ainda não pagamos a conta das obras inacabadas da Copa de 2014…
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