Peru: perdendo por 40 mil votos, Sánchez tenta anular urnas do exterior

O candidato à presidência do Peru pela esquerda, Roberto Sánchez, pediu a anulação dos votos do exterior na eleição, nesta segunda-feira (22/6), ao Jurado Nacional de Elecciones. Sánchez alega irregularidades na votação, mas não apresentou provas.

Caso a medida seja atendida, mais de 300 mil votos podem ser anulados. E é justamente no exterior que a candidata da direita, Keiko Fujimori, tem ampla vantagem. Entre quem votou fora do país, Fujimori tem 63,206% da preferência, até a madrugada desta terça-feira (23/6). Ao todo, são 81 mil votos de vantagem, com 99,725% das urnas apuradas.

São eles que impulsionam a liderança de Fujimori. No total, ela tem 40 mil  votos a mais que Sánchez. Entre os que votaram dentro do país, o candidato da esquerda lidera por 40 mil votos.

O partido do esquerdista também já afirmou que não vai reconhecer o resultado das eleições. O Juntos por el Perú disse que não aceitará um resultado sem ter “qualquer dúvida ou controvérsia” e que não vê transparência na forma como o pleito está sendo conduzido.

Eleições acirradas

As eleições deste ano estão sendo marcadas pela diferença mínima de votos entre os dois candidatos. O pleito está sendo acirrado desde o primeiro turno, que teve 35 candidatos. Os dois favoritos, Roberto Sánchez e Keiko Fujimori, não conseguiram alcançar nem mesmo 30% dos votos do eleitorado peruano. Mas, Keiko chegou ao segundo turno com uma leve vantagem em relação ao seu adversário: 17,92% dos votos válidos contra 12,03%.

Quem vencer o pleito, se tornará o 9º presidente do Peru em 10 anos. Diante de uma forte instabilidade política, na última década, nenhum presidente conseguiu finalizar o mandato, foram quatro destituições, duas renúncias e dois mandatos-tampões. O sistema unicameral facilita processos de impeachment e de destituições. Mas, a partir desta eleição, o Peru voltará a ser bicameral, com Câmara e Senado, similar ao sistema brasileiro.

Veja a lista de presidentes recentes do Peru:

  • Pedro Pablo Kuczynski – 2016 a 2018 (renunciou)
  • Martín Vizcarra – 2018 a 2020 (destituído)
  • Manuel Merino – 2020 (ficou no cargo por cinco dias e renunciou)
  • Francisco Sagasti – 2020 a 2021 (mandato temporário)
  • Pedro Castillo – 2021 a 2022 (destituído)
  • Dina Boluarte – 2022 a 2025 (destituído)
  • José Jerí – 2025 a 2026 (destituído)
  • José María Balcázar – 2026 até o momento (mandato temporário)

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