Milhares protestam contra candidata presidencial de direita no Peru

Os manifestantes, provenientes de vários partidos de esquerda e de centro, associações de estudantes, trabalhadores, pensionistas, sindicatos e familiares de vítimas de massacres perpetrados durante o governo do pai da candidata, o falecido ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), marcharam empunhando bandeiras e fotografias dos seus familiares desaparecidos.

Entre os grupos políticos destacou-se uma comitiva do partido Agora Nação, liderada pelo seu ex-candidato presidencial Alfonso López Chau e alguns dos seus deputados eleitos, que apoia o candidato da esquerda, Roberto Sánchez, no próximo dia 7, e lhe cedeu parte da sua equipa técnica para a campanha.

Da mesma forma, várias delegações do Juntos pelo Peru, o partido que representa Sánchez, juntaram-se à mobilização contra o fujimorismo.

Com slogans como “Por justiça e liberdade, Fujimori nunca mais”, “Na costa, na serra e na selva, Keiko não passa” ou “Abaixo o pacto mafioso”, os manifestantes marcharam a partir da Praça San Martín, no centro, e percorreram várias avenidas da capital até chegarem perto do Congresso e terminarem no Palácio da Justiça.

Outro grupo levava uma enorme bandeira peruana, vermelha e branca, enquanto alguns estavam vestidos de rato ou traziam bonecos deste animal para denunciar a corrupção e a impunidade.

Os manifestantes também rejeitaram a opção de alguns ex-candidatos presidenciais, como o centrista Jorge Nieto, de anular o voto no segundo turno, com o argumento de que Fujimori e Sánchez representam uma continuidade na polarização política do país.

Noutras cidades do país, como Arequipa e Huancayo, também se realizaram manifestações sob o lema “Keiko Não Vai”, em rejeição à candidatura da líder do partido Fuerza Popular, que se candidata pela quarta vez à Presidência do Peru, e segue à frente nas sondagens.

Horas antes da marcha, Sánchez assinou um Compromisso pelo Peru com organizações sociais, sindicais e políticas, no qual manifestou a intenção de liderar um governo que enfrente a insegurança cidadã, a corrupção e a deterioração democrática, caso vença a segunda volta contra a sua rival.

As organizações sociais e políticas que assinaram o compromisso manifestaram que votarão de forma vigilante a favor da candidatura de Sánchez, com base na defesa da democracia, dos direitos humanos, da justiça social, da recuperação económica e da luta frontal contra a corrupção.

O compromisso assumido por Sánchez inclui a revogação das chamadas leis pró-crime, que impedem a luta contra as economias ilegais; justiça e reparação para as vítimas do conflito armado interno (1980-2000), das esterilizações forçadas denunciadas durante o governo de Alberto Fujimori e dos protestos sociais dos últimos cinco anos.

Pode ver as imagens do protesto na nossa galeria.

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