O candidato presidencial de esquerda do Peru, Roberto Sánchez, afirmou nesta terça-feira (22) que não reconhecerá o resultado do segundo turno das eleições presidenciais do país, alegando fraude enquanto sua rival conservadora, Keiko Fujimori, mantém uma estreita vantagem.
A declaração aumenta a possibilidade de uma crise política prolongada no Peru, enquanto o país aguarda o resultado final de uma das disputas presidenciais mais acirradas de sua história.
Falando à imprensa, Sánchez afirmou que “há uma fraude em curso” em um processo que, segundo ele, está favorecendo Fujimori. As autoridades eleitorais vêm revisando há semanas os votos contestados do segundo turno realizado em 7 de junho, com Fujimori liderando por 50,11% contra 49,89%.
“Acreditamos que houve manipulação dos votos”, disse Sánchez, acusando a autoridade eleitoral peruana Onpe e a campanha de Fujimori de irregularidades nos votos registrados no exterior, que favoreceram amplamente a candidata conservadora.
A Onpe, o Júri Nacional de Eleições do Peru (JNE) e a campanha de Fujimori não responderam imediatamente a pedidos de comentário.
O partido de Sánchez, Juntos pelo Peru, conquistou o segundo maior número de cadeiras no Congresso, garantindo 32 das 130 cadeiras da Câmara dos Deputados e 14 das 60 cadeiras do Senado.
O partido de Fujimori terá a maior bancada no Congresso, com 22 cadeiras no Senado e 41 na Câmara dos Deputados. Fujimori, filha do falecido ex-presidente Alberto Fujimori, disputa a presidência pela quarta vez.
Sánchez liderava a corrida eleitoral anteriormente, à medida que os votos das áreas rurais eram contabilizados, mas Fujimori reduziu a diferença quando os votos do exterior começaram a ser processados.
Diante de uma disputa tão apertada, ambos os candidatos haviam evitado declarar vitória ou admitir derrota até que 100% dos votos fossem contabilizados. Após semanas de revisão dos votos contestados, 99,72% do total dos votos haviam sido contabilizados até o início desta terça.
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