Candidato presidencial de esquerda no Peru pede anulação de votos no estrangeiro


Numa mensagem divulgada nas redes sociais na segunda-feira, Sánchez explicou que apresentou um pedido à Junta Nacional Eleitoral (JNE) porque acredita que o processo “foi seriamente afetado pelas modificações introduzidas a pedido do poder Executivo, concretamente na segunda volta da eleição presidencial”.


O candidato, que concorreu em nome do ex-Presidente Pedro Castillo (2021-2022), atualmente detido, considera “uma grave irregularidade” o facto de os resultados de 119 repartições consulares no estrangeiro não terem sido transmitidos digitalmente para a segunda volta, obrigando a aguardar a chegada das atas de apuramento a Lima para serem contabilizadas.


Segundo Sánchez, a transferência das atas de apuramento foi realizada sem a devida cadeia de custódia, algo que atribui ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Carlos Pareja.


O partido que apoia o candidato, Juntos pelo Peru, acusou Pareja de cometer crimes de fraude eleitoral, perturbação ou obstrução de atos eleitorais e negligência no cumprimento do dever.


Após esta acusação, feita no parlamento, o ministro rejeitou, na segunda-feira, qualquer alegação de que tenha interferido, manipulado, favorecido politicamente ou alterado o material eleitoral relacionado com os votos dos peruanos no estrangeiro.


Em comunicado, Pareja afirmou que o ministério desempenhou funções logísticas e consulares em coordenação com os órgãos eleitorais competentes e esclareceu que a verificação dos boletins de voto, a contagem dos votos, a resolução de contestações e a proclamação dos resultados não estão sob a sua alçada.


“Nem os observadores internacionais, nem a Controladoria-Geral, nem a Provedoria, nem os observadores da JNE, nem mesmo os representantes dos próprios partidos políticos encontraram quaisquer irregularidades no processo eleitoral no estrangeiro que sustentassem a alegada acusação de inconstitucionalidade”, afirmou Pareja.


Nem Sánchez nem o Juntos pelo Peru se opuseram às alterações no processamento dos votos no estrangeiro quando foram anunciadas. As missões de observação eleitoral não reportaram quaisquer incidentes que sugiram a possibilidade de fraude.


Com 99,71% dos votos apurados, Fujimori tem 50,11% dos votos válidos, contra 49,88% de Sánchez, uma diferença de 40.600 votos.


No entanto, as percentagens invertem-se se os votos do estrangeiro forem excluídos, dando a Sánchez 50,11% dos votos válidos, mais 40.793 do que Fujimori, que regista 49,88%.


Fujimori criticou a lentidão na contagem final dos votos, na segunda-feira, e disse que “cada dia de atraso na divulgação dos resultados é um dia perdido para o processo de transição”, incluindo a nomeação do Governo.

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