O Valor vai reforçar sua cobertura internacional com reportagens que serão enviadas diretamente de Washington, a partir do dia 12 de agosto. Durante quatro meses, a repórter Anaïs Fernandes atuará como correspondente do Valor nos Estados Unidos, com a missão de imprimir um olhar brasileiro às eleições americanas de meio de mandato, aprofundar o entendimento das relações bilaterais e acompanhar de perto a percepção dos investidores internacionais sobre o Brasil, em um contexto que também inclui as eleições por aqui.
Marcadas para 3 de novembro, as “midterms” ocorrem no meio do mandato do presidente americano, que é de quatro anos, e ajudam a definir o rumo político da segunda metade da administração, com efeitos para o mundo todo. São renovadas todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes (deputados federais), assim como cerca de um terço dos cem assentos do Senado – neste ano, 33 postos estarão em votação. Também serão escolhidos governadores de 36 dos 50 Estados americanos, e de três territórios.
As eleições funcionam como termômetro da popularidade do ocupante da Casa Branca e servem de orientação para o pleito presidencial dois anos depois. Atualmente, o Partido Republicano, do presidente Donald Trump, detém o controle das duas casas do Congresso, com 53 senadores (contra 47 do Partido Democrata) e 218 deputados federais (versus 212).
O leitor do Valor vai conferir todas as principais implicações do pleito, principalmente os efeitos na economia nacional. “Vamos destacar as oportunidades que podem ser abertas para os empresários brasileiros nos EUA ou que dificuldades adicionais eles podem passar a enfrentar dependendo da votação”, diz Fernandes. A correspondente também ficará atenta à percepção dos investidores estrangeiros sobre os movimentos da eleição brasileira.
Jornalista assume o posto nos EUA no momento em que relações diplomáticas entre os dois países estão em crise
As “midterms” ocorrem em um momento de forte tensão entre Brasil e Estados Unidos. Em julho, o governo americano impôs uma tarifa de 12,5% à importação de produtos brasileiros, alegando que o país não adotara mecanismos suficientes para impedir a entrada de mercadorias obtidas com trabalho forçado, o que configuraria concorrência desleal. As medidas incluíram 60 países ao todo. Essa sobretaxa se somou à tarifa de 25% previamente anunciada, por supostas práticas brasileiras que onerariam o comércio bilateral.
Segundo a correspondente do Valor, a apuração abrirá espaço para senadores e demais congressistas que estejam ligados a questões estratégicas para o Brasil, tanto do ponto de vista econômico quanto político, para oferecer ao leitor um retrato mais completo e aprofundado das discussões que podem resultar em algum tipo de impacto para as empresas brasileiras e a população em geral.
O dia a dia da cobertura será ágil e flexível para garantir a presença do Valor em todas as ocasiões possíveis em que autoridades americanas citarem o Brasil ou fizerem menção a assuntos com repercussão direta no país. “As agências internacionais costumam cobrir esses eventos e pronunciamentos, mas sob uma perspectiva bem ampla. Com a cobertura local, podemos destacar manifestações que interessam ao leitor brasileiro, mas poderiam passar despercebidas pela reportagem das agências”, diz Fernandes.
Um dos destaques da agenda será a Assembleia Geral da ONU, em setembro, em Nova York. Pela tradição, o Brasil é o primeiro país a discursar na cerimônia, seguido dos Estados Unidos. No ano passado, um rápido encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos bastidores da conferência abriu uma janela de diálogo, depois de o governo americano sobretaxar produtos brasileiros em 50%. Em maio deste ano, Lula foi recebido na Casa Branca, com honras diplomáticas, para uma visita de trabalho. Posteriormente, porém, os entendimentos desandaram.
Além das tarifas, há outros pontos de tensão: um deles é a decisão dos EUA de reconhecer o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Este e outros movimentos têm sido interpretados como sinais de alinhamento ideológico entre Donald Trump e o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), principal adversário de Lula (PT/SP) nas eleições presidenciais deste ano, cujo primeiro turno vai ocorrer em 4 de outubro. No anúncio, Bolsonaro comemorou a medida, que disse ter solicitado pessoalmente à Casa Branca. Em várias declarações, Lula tem afirmado que não serão toleradas interferências estrangeiras no pleito.
As relações diplomáticas chegaram a um de seus níveis mais baixos no dia 4, quando os EUA retiraram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, numa atitude que diplomatas classificaram como uma “chantagem” do governo Trump. O Departamento de Estado americano informou que a medida era uma resposta à demora das autoridades brasileiras em conceder o aval diplomático para que Daniel Perez assuma a embaixada dos EUA no Brasil. Também informou que a embaixadora não fora expulsa, e que o visto poderia ser restabelecido se o governo brasileiro concedesse o aval.
A repórter Anaïs Fernandes, que assumirá o posto de correspondente, ingressou no Valor em 2019. Graduada em Jornalismo e Ciências Sociais pela USP, é doutoranda em Sociologia pela mesma instituição. A carreira acadêmica também inclui um MBA em Marketing Digital pela Fundação Getulio Vargas. Antes do Valor, Fernandes atuou em veículos de comunicação como “Folha de S.Paulo”, “O Estado de S. Paulo” e “Veja.com”.
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