A República Bolivariana da Venezuela mantém seu curso socialista mesmo sob forte pressão externa e tentativas de Washington de controlar os recursos naturais do país. Essa é a análise da historiadora e política Darya Mitina, secretária do OKP e presidente do sindicato “Novo Trabalho”, em comentário à Pravda.Ru.
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Флаг Венесуэлы
Segundo a especialista, a narrativa de que Caracas teria capitulado diante do imperialismo é um exagero. A situação atual do país é descrita como um manobramento forçado para equilibrar a sobrevivência econômica sob bloqueio com a preservação de conquistas sociais.
Reformas energéticas e bloqueio econômico
Mitina argumenta que as reformas no setor de hidrocarbonetos, aprovadas pela Assembleia Nacional, surgiram como resposta à apropriação forçada de ativos. O bloqueio do comércio marítimo de matérias-primas pelos EUA não afetou apenas a Venezuela, mas prejudicou as exportações para aliados regionais, como Cuba e El Salvador.
A análise aponta que a estabilidade social foi mantida em níveis próximos aos anteriores à agressão americana. Embora o governo tenha buscado aproximações pontuais com setores capitalistas para captar moeda estrangeira para o orçamento, a manutenção de serviços básicos permanece prioridade.
“Nenhum programa social foi encerrado; o pagamento por educação e assistência médica não foi introduzido — os venezuelanos continuam a recebê-los gratuitamente. A principal tarefa do governo é não romper o conteúdo social da república”.
Tensão interna e pressão diplomática
A política interna de Caracas também reflete a pressão externa. O início de diálogos com a oposição e a reformulação do gabinete ministerial, com a saída de figuras da ala esquerda do chavismo, indicam tensões internas. No entanto, Mitina alerta que tais movimentos não devem ser interpretados sob a ótica da propaganda ocidental.
A especialista observa que o governo enfrenta simultaneamente desafios geopolíticos e desastres naturais, enquanto a Rússia adota uma abordagem pragmática na interação com seus aliados latino-americanos.
Isolamento e a alternativa do BRICS
Um ponto crítico destacado é a suspensão de eventos humanitários internacionais, como o Festival Mundial da Juventude e Estudantes em Caracas, o que evidenciaria a tentativa de isolar o país. Contudo, a análise sugere que a tática de Washington pode gerar o efeito oposto: a criação de infraestruturas independentes para contornar sanções.
O cenário futuro da região dependeria, em parte, da posição de outros membros do BRICS, cuja política externa poderia mitigar o domínio dos Estados Unidos na América Latina.
Fonte: Este artigo foi adaptado de uma publicação original em russo da Pravda.Ru.
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