As mortes ocorreram na cidade de Kenscoff, situada nas colinas acima da capital, Porto Príncipe, assolada pela violência. Kenscoff fica ao lado de Pétion-Ville, um subúrbio de classe mais alta que abriga hotéis de luxo e o que resta da comunidade diplomática.
As deportações levam haitianos que viviam nos EUA de volta a um país sob domínio de gangues. O grupo de 170 pessoas chegou ao Haiti poucos dias antes do massacre que deixou 47 pessoas mortas.
As gangues criminosas controlam cerca de 70% de Porto Príncipe e estão expandindo sua atuação para as áreas rurais. Esses grupos têm realizado incursões em terras agrícolas e matado agricultores na região de Artibonite — o celeiro do país — e na região ao sul, nas imediações de Séguin. Mais de 1.400 pessoas foram mortas entre abril e junho, segundo a ONU, e 1,5 milhão de pessoas estão deslocadas em todo o Haiti.
É para esse cenário que os EUA estão enviando, por via aérea, migrantes haitianos que perderam o status de proteção temporária, conhecido como TPS. O governo Trump insiste que a ilha é segura o suficiente para receber os cerca de 350 mil haitianos que os EUA querem repatriar. Trata-se de pessoas que viviam e trabalhavam legalmente nos EUA sob o TPS. Muitas delas atuam nas áreas de saúde e assistência domiciliar.
Missão da ONU não consegue avançar no Haiti
A missão internacional apoiada pela ONU para restabelecer a estabilidade na região enfrenta dificuldades um ano após sua aprovação. Em setembro do ano passado, o Conselho de Segurança da ONU aprovou um plano, patrocinado pelos EUA, para enviar uma força de 5.550 integrantes destinada a combater as gangues, restaurar a ordem e dar sustentação ao governo incipiente do país.
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