Haiti pede na ONU destacamento total da Força de Repressão de Gangues

O representante permanente do Haiti junto das Nações Unidas instou hoje a comunidade internacional a acelerar o destacamento da Força de Repressão de Gangues até atingir o efetivo planeado de 5.500 pessoas.


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O apelo foi lançado por Ericq Pierre em Nova Iorque, numa reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU solicitada pelo Panamá e pelos Estados Unidos, juntamente com a Colômbia, após um ataque de gangues na noite de 23 para 24 de agosto na comuna de Kenscoff, que fez quase 50 mortos.

Pierre condenou o massacre e a tomada de reféns em Kenscoff, descrevendo-os como prova da “nova capacidade de violência e terror” dos grupos armados.

O diplomata afirmou que as forças de segurança do Haiti permanecem totalmente mobilizadas e em alerta máximo para proteger civis, recuperar o território controlado pelos grupos e restaurar a autoridade do Estado.

No entanto, instou a comunidade internacional a acelerar o destacamento de agentes de segurança para a Força de Repressão de Gangues, tendo acolhido com satisfação os compromissos assumidos pelo Chade, Mongólia e Costa do Marfim, e mencionado as discussões em curso com a Jamaica, o Sri Lanka e o Bangladesh.

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Embora tenha um efetivo autorizado de 5.550 pessoas, a Força de Repressão de Gangues – autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU no ano passado – ainda não atingiu a sua capacidade operacional total.

De acordo com o último relatório da ONU, em 08 de julho, a componente militar da Força era apenas de 1.083 pessoas, enquanto a componente civil era composta por 16 funcionários.

Ericq Pierre também solicitou apoio para o recrutamento e treino de novos militares no Haiti e para o reforço do embargo de armas do Conselho de Segurança.

Salientou que a restauração da segurança é essencial para a reconstrução da autoridade do Estado e para a realização de eleições.

Na mesma reunião, países como o Brasil e a França pediram um embargo de armas mais rigoroso.

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O diplomata brasileiro Norberto Moretti instou o Conselho de Segurança a considerar medidas que fortaleçam e façam cumprir o embargo de armas e pediu maior apoio à Polícia Nacional Haitiana.

Moretti alertou que a crise no Haiti é cada vez mais impulsionada por economias criminosas construídas em torno do controlo de rotas logísticas estratégicas e extorsão.

Já o diplomata francês Jay Dharmadhikari juntou-se à sua homóloga norte-americana Jennifer Locetta nos apelos à renovação do mandato da Força de Repressão de Gangues no próximo mês e ao envio mais rápido de pessoal e equipamentos para o país em crise.

Com foco nas sanções, Dharmadhikari instou o Conselho de Segurança a renovar o regime de sanções contra o Haiti em outubro.

O representante de Paris afirmou que medidas mais rigorosas são necessárias para interromper o tráfico de armas e cortar os fluxos financeiros que sustentam os grupos criminosos.

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Para que o regime seja eficaz, defendeu, as sanções devem ir além dos membros de gangues, abrangendo também indivíduos que lhes fornecem apoio político ou financeiro.

Enfatizou ainda que essas medidas devem ser acompanhadas de reforma judicial, esforços contra a impunidade e controlos mais rigorosos sobre as fronteiras, armas e munições do Haiti.

O Haiti é considerado um dos países mais pobres da América Latina e atualmente vive uma grave crise social, política, económica e, sobretudo, de segurança, nomeadamente devido à ação de gangues criminosos.

No início da semana, os gangues lançaram um ataque brutal contra a comuna de Kenscoff, nas colinas com vista para a capital haitiana, Porto-Príncipe.

O ataque ceifou a vida a pelo menos 47 pessoas, incluindo cinco crianças. Dezenas de pessoas foram raptadas e muitas outras ficaram feridas, situação que chocou a comunidade internacional e motivou a reunião de emergência do Conselho de Segurança.

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