Bissau – Um colectivo de cidadãos, investigadores e académicos guineenses apresentou uma carta aberta a várias organizações internacionais, propondo um plano detalhado para superar a crise político-militar decorrente do golpe de Estado de 26 de novembro de 2025.
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Numa carta aberta à comunidade internacional, um grupo de cidadãos guineenses avançou com propostas concretas para a saída da crise.
Desde logo, defendem a formação de um governo de consenso nacional integrado exclusivamente por civis, bem como a escolha de um novo Presidente da República que também seja civil, independente face aos partidos políticos, e que não tenha sido candidato nem venha a candidatar-se nas próximas eleições presidenciais na Guiné-Bissau.
De preferência, o grupo propõe que a figura escolhida deverá pertencer ao meio académico ou ser um investigador residente na diáspora.
Reconhecendo o papel dos militares no actual cenário político do país, o grupo sugere a elaboração de um calendário detalhado para o regresso dos efectivos às casernas, visando a futura profissionalização das Forças Armadas.
As reformas constitucionais e das principais leis da República poderão continuar, desde que num quadro de consenso e acompanhadas pela adopção de um calendário eleitoral claro que conduza o país às próximas eleições legislativas e presidenciais em dezembro.
O colectivo sugere ainda a criação de um fórum de diálogo nacional que envolva partidos políticos, organizações da sociedade civil, autoridades tradicionais, confissões religiosas, parceiros económicos e a diáspora.
Este diálogo seria acompanhado por organizações internacionais, nomeadamente a União Africana, a CPLP, a União Europeia, as Nações Unidas e a CEDEAO.
As propostas do grupo cidadão surgem após o Senegal ter sido mandatado pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental para mediar a crise guineense, apresentando recentemente um plano às autoridades de transição em Bissau. O plano ainda é desconhecido pelo público guineense.
Na sua carta aberta, o grupo manifestou “profunda preocupação face à lentidão no cumprimento das exigências estipuladas pelas instâncias regionais e contesta as posições recentes da CEDEAO” em relação à crise política na Guiné-Bissau.
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