Melhorar o estilo de vida pode ajudar a prevenir a demência





Uma parte significativa do risco de desenvolvimento da doença de Alzheimer e de outras doenças cognitivas pode ser reduzida por meio de mudanças no estilo de vida. É o que afirma o professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG e convidado do Saúde com Ciência, Paulo Caramelli.

A alimentação saudável, a atividade física regular, os estímulos cognitivos e o controle de doenças crônicas, como a hipertensão arterial e o diabetes, formam um conjunto de estratégias para proteger a saúde do cérebro ao longo do envelhecimento, segundo o professor. Além disso, ele destaca também a importância da socialização. O diferencial, de acordo com o neurologista, está em combinar essas medidas de forma contínua e acompanhada por uma equipe multiprofissional, em vez de adotar ações isoladas.

“Você tem fatores de risco modificáveis para a demência. A ideia é verificar se pessoas com risco elevado conseguem um desfecho cognitivo melhor ao modificarem esses fatores de forma mais sistemática, melhorando a dieta, praticando atividades físicas e controlando doenças como hipertensão e diabetes”.

Professor Paulo Caramelli

O professor explica que é dessa forma que funciona a abordagem FINGER, desenvolvida na Finlândia e considerada hoje uma das principais estratégias de prevenção da demência. O modelo reúne cinco eixos de intervenção: atividade física supervisionada, alimentação saudável com acompanhamento nutricional, treino cognitivo, monitoramento de fatores de risco cardiovasculares e incentivo à socialização.

Resultados do LatAm-FINGERS

Os resultados do estudo original motivaram a criação do LatAm-FINGERS, uma pesquisa realizada em 11 países da América Latina para avaliar como a estratégia funcionaria aqui. No Brasil, a UFMG é um dos dois centros responsáveis pela pesquisa, ao lado da Universidade de São Paulo (USP).

Durante dois anos, foram acompanhadas 1.100 pessoas entre 60 e 77 anos, todas com risco elevado de desenvolver comprometimento cognitivo ou demência. Elas foram divididas em dois grupos: o primeiro deles participou da intervenção multiprofissional baseada na abordagem FINGER, enquanto o outro recebeu apenas orientações gerais de saúde.

Segundo o professor, o grupo que participou da intervenção apresentou uma melhora de aproximadamente 55% no desempenho cognitivo em relação ao grupo controle. Além disso, foram observadas melhoras na memória, na função executiva e na velocidade de processamento de informações, sendo um resultado ainda mais positivo do que o encontrado em estudos anteriores na Finlândia e nos Estados Unidos.

Para o professor Caramelli, os achados reforçam uma mensagem importante para a população: cuidar da saúde do cérebro começa antes do surgimento dos sintomas. A prevenção da demência passa pelo controle dos fatores de risco e pela adoção de um estilo de vida saudável, mostrando que pequenas mudanças, quando combinadas e mantidas ao longo do tempo, podem fazer diferença na preservação da cognição durante o envelhecimento.

Os resultados do LatAm-FINGERS foram publicados na revista The Lancet em agosto de 2026, e podem ser acessados clicando aqui.

Ouça o podcast na íntegra:

Saúde com Ciência

No programa de rádio Saúde com Ciência desta semana, conversaremos sobre saúde cognitiva e demência. Entenderemos quando a perda cognitiva é esperada e como funciona a abordagem FINGER de prevenção à demência. Além disso, abordaremos a apresentação dos resultados da pesquisa e sua publicação na revista Lancet.

O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 7h15, no programa Bom Dia UFMG. Também é possível ouvir o programa pelas principais plataformas de podcasts.



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