Juliana Zobaran, advogada tributarista, resume o impacto de forma direta: “Na prática, o carro brasileiro fica subitamente 11% mais caro no desembaraço. Isso nos coloca em desvantagem direta contra países que já não gozam de preferências, como a China, que possui custos de produção muito baixos. Perdemos o único diferencial que tínhamos, que era o benefício do acordo.”
Para o consumidor venezuelano, a consequência é grande: menos margem para desconto, maior pressão sobre preços ou redução da oferta de modelos brasileiros. Em 2025, foram vendidos 25 mil carros no país, cerca de 4 mil deles, ou 16%, vieram do Brasil.
Na prática, os dois cenários são bem ruins para a Venezuela: de um lado, os carros ficam mais caros, de outro, perde-se uma fatia grande da oferta disponível. A escolha fica para as montadoras: ou reduzem margem, ou repassam preço, ou migram a produção para outro país.
Juliana explica que nenhuma das alternativas é confortável. “Em um setor como o automotivo, em que escala e previsibilidade são essenciais, uma mudança tarifária abrupta compromete planejamento comercial, contratos e estratégia de distribuição.”
Relação abalada
O problema é que a decisão venezuelana não surge isolada. No ano passado, as relações comerciais entre os dois países já haviam se deteriorado depois que a Venezuela suspendeu totalmente o ACE 69. Após uma queixa brasileira, os dois governos iniciaram negociações, ainda sem conclusão.
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