Lula e Trump frente a frente esta quinta-feira: comércio, crime organizado e Venezuela em cima da mesa
Donald Trump recebe esta quinta-feira o presidente brasileiro, Lula da Silva, na Casa Branca, em Washington. O encontro foi confirmado por uma autoridade americana e deverá decorrer em formato de “visita de trabalho”, menos formal do que uma visita de Estado ou uma reunião bilateral tradicional.
A reunião deverá centrar-se em temas económicos e de segurança de interesse comum, segundo a Casa Branca. Do lado brasileiro, a expectativa é que o encontro ajude a normalizar as relações comerciais entre os dois países, depois de um período marcado por tarifas, incerteza diplomática e sanções contra autoridades brasileiras. A ‘Reuters’ avança que as tarifas e o combate ao crime organizado deverão estar entre os temas da conversa.
O encontro está previsto para as 11h00 em Washington, 12h00 em Brasília e 16h00 em Lisboa.
Comércio é prioridade para Brasília
A diplomacia brasileira vê a reunião como um passo importante para reabrir canais e estabilizar a relação económica com os Estados Unidos. No ano passado, Trump aplicou tarifas de 50% a vários produtos brasileiros, medida depois reduzida ou eliminada em alguns casos, incluindo em bens como carne de vaca, legumes, café e cacau.
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O vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, defendeu que o encontro deve servir para procurar um “bom entendimento” entre os dois países. “O Brasil não é problema para os Estados Unidos. O que nós temos que fazer é um ganha-ganha, é fortalecer ainda mais a complementaridade económica”, afirmou.
Além do comércio, Brasília quer discutir parcerias em minerais críticos e terras raras, setores cada vez mais estratégicos para tecnologia, transição energética e indústria de defesa.
Crime organizado e Venezuela também na agenda
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O combate ao crime organizado deverá ser outro ponto central. Auxiliares de Lula indicam que o Presidente brasileiro pretende afastar a hipótese de equiparar fações criminosas a organizações terroristas, uma possibilidade já levantada pela administração americana.
A situação na Venezuela também deverá entrar na conversa, num momento em que Washington mantém forte pressão sobre Caracas e em que o Brasil procura preservar margem diplomática na região.
O encontro de quinta-feira retoma uma aproximação que já vinha a ser construída. Lula e Trump encontraram-se casualmente nos corredores da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, em setembro de 2025, e falaram depois por telefone. Em outubro, reuniram-se em Kuala Lumpur, na Malásia, num encontro descrito como positivo por ambas as partes. A AP recorda que a relação entre os dois líderes melhorou desde esses contactos, apesar das tensões anteriores provocadas por tarifas e pelo processo contra Jair Bolsonaro.
PIX pode entrar na conversa
Outro tema que poderá surgir é o PIX, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. Alckmin disse ver a reunião como uma oportunidade para explicar o funcionamento do mecanismo e evitar mal-entendidos com Washington.
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O tema tornou-se sensível no contexto das discussões sobre regulação financeira, tecnologia e concorrência entre sistemas de pagamento. Para o Brasil, o objetivo é apresentar o PIX como uma infraestrutura pública de eficiência económica, não como um obstáculo aos interesses americanos.
Uma reunião menos formal, mas politicamente relevante
Embora tratada como visita de trabalho, a reunião terá forte peso político. Para Lula, é uma oportunidade de reposicionar o Brasil na relação com Washington, proteger interesses comerciais e mostrar capacidade de diálogo com Trump. Para o presidente americano, o encontro permite discutir segurança regional, crime organizado, comércio e cadeias estratégicas num momento de instabilidade internacional.
A Casa Branca descreve a reunião como uma conversa sobre temas económicos e de segurança de importância mútua. Mas, para Brasília, o objetivo é mais amplo: virar a página do período de tensão comercial e reconstruir uma relação pragmática com os Estados Unidos.
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