Apontado por Trump para ser embaixador no Brasil diz que não irá interferir nas eleições

Apontado pelo presidente americano Donald Trump para assumir a embaixada dos Estados Unidos em Brasília, o político republicano Daniel Perez disse que não se envolverá nas eleições brasileiras de outubro. A declaração foi dada a uma emissora de televisão da Flórida no último domingo durante uma entrevista.

— Não há qualquer envolvimento da minha parte em relação às eleições no Brasil. Isso é algo que cabe aos brasileiros decidir — disse Perez ao canal de TV. Ele acrescentou em seguida — Quem eles escolherem como vencedor é com quem eu trabalharei.

Antes, Perez havia sido questionado sobre a crise diplomática entre os dois países. O republicano, que é deputado no estado da Flórida, respondeu que é “difícil ter um impasse” com o Brasil, dado se tratar de um parceiro comercial importante para os EUA. Questionado sobre o tarifaço, Perez disse acreditar existir “um espaço onde ambos os países podem sair ganhando”.

— Acho que, assim que eu conseguir me estabelecer e construir esses relacionamentos, espero que possamos superar essa lacuna — disse Perez, que falou posteriormente no tarifaço imposto por Trump aos produtos brasileiros — Estou lá com uma missão: garantir que os Estados Unidos estejam em uma situação melhor amanhã do que estão hoje. E a economia é parte disso.

Perez se tornou pivô da crise diplomática que levou os Estados Unidos a revogar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A decisão americana foi uma retaliação pela demora do governo brasileiro em conceder o agrément. O termo se refere à sinalização de que o país aceita o representante estrangeiro como embaixador em seu território.

O procedimento adotado pelos EUA ao anunciar a escolha de Perez inverteu o costume diplomático, gerando incômodo no governo brasileiro. Tradicionalmente, o agremént é concedido antes do anúncio oficial do nome indicado para ser o novo embaixador. No caso, a decisão de Trump de indicar o parlamentar republicano foi publicizada ainda em junho. Desde então, as autoridades americanas passaram a cobrar do Brasil a concessão do agrément. No início de agosto, Perez foi confirmado pelo Senado americano para assumir a função.

Os Estados Unidos estão sem embaixador no Brasil desde a posse de Donald Trump, que deu início ao seu segundo mandato em janeiro do ano passado. A última diplomata americana a ocupar a função foi Elizabeth Bagley, alinhada ao governo do democrata Joe Biden. Desde que ela deixou a função, o principal representante americano no país era o encarregado de negócios Gabriel Escobar. Em julho, uma nova diplomata assumiu a função.

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