Comissão de Abel precisaria estudar história do Brasil antes de falar 

O Brasil de fato é uma sociedade bastante complexa. É, também, a cultura mais brilhante do mundo. O Brasil institucional tem problemas estruturais; o Brasil das frestas é sobrevivente, é resistente, é alegre e vibrante. O futebol que emprega Abel e João nasceu dessa cultura. João Martins não conhece o país onde mora e fala como alguém que se sente superior.

Abordemos, então, os problemas do Brasil das instituições, esse criado em 1500 por colonizadores.

Quem nos colonizou foi Portugal, uma informação que talvez choque Martins. O Brasil, antes de ser uma nação, foi um experimento econômico de Portugal. Um latifúndio escravagista primário exportador, como ensinou Celso Furtado. A potência dessa Europa que Martins celebra foi construída sobre saques das riquezas do nosso continente. Saques, genocídios, exploração, devastação.

Martins consegue apontar o dedo, mas não olhar para o espelho. Abel e sua comissão precisam se implicar nos erros que cometem. E precisam também estudar a história do país que os acolheu. Todos os problemas que temos aqui foram criados originalmente pela colonização realizada pela terra onde Martins e Abel nasceram. A riqueza de Portugal foi erguida sobre as costas das populações sequestradas em África e trazidas para cá para serem escravizadas. Essa parte da saga Martins ou não conhece ou escolheu ignorar. As duas opções são igualmente toscas.

Não há problema nenhum em portugueses virem treinar clubes brasileiros. O problema é chegar sem saber onde estão chegando. E, depois, se recusarem a estudar. Um pouco de esforço teria evitado declaração tão miseravelmente pequena, vulgar, injusta e ignorante.


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