Antes mesmo de o governo revogar a chamada “taxa das blusinhas” em pleno ano eleitoral, as plataformas de e-commerce asiáticas já estavam conseguindo diminuir a distância em relação aos rivais “incumbentes” — como Mercado Livre e Amazon — graças à conquista da classe C e a uma recorrência de compras maior do que a das concorrentes.
Estudo elaborado pela Klavi e pela EY mostra que os e-commerces asiáticos — AliExpress, Kwai Shop, Shein, Shopee, TikTok Shop e Temu — aumentaram sua participação de mercado de 32% para 41,5% entre o começo e o fim do ano passado. Enquanto isso, o que o estudo chamou de “incumbentes” — marcas nacionais ou mais estabelecidas, como Amazon, Americanas, Casas Bahia, Magazine Luiza e Mercado Livre — reduziu sua fatia de 67,5% para 58%.
Parte do crescimento se deve a uma frequência de vendas muito maior. Embora o tíquete médio das asiáticas seja substancialmente menor — R$ 84,14, contra R$ 212,84 das outras —, seus consumidores fazem, em média, 0,97 transação por mês; nas demais plataformas, a média é de 0,65.
As asiáticas também conseguiram conquistar os consumidores da classe C. Cerca de 30% das vendas analisadas foram feitas por consumidores dessa classe social em plataformas asiáticas.
Segundo o estudo, os números escancaram que está em curso uma batalha mais intensa pelos consumidores.
“O último ano do varejo foi marcado pela intensificação da disputa entre players incumbentes, já consolidados no mercado brasileiro, e novos entrantes, com destaque para players asiáticos. Enquanto os players asiáticos apostam em uma experiência digital eficiente, com alta frequência de compra e menor ticket médio, os incumbentes sustentam sua posição com base na confiança da marca e em maior valor por transação.”
Segundo o levantamento, os players asiáticos já atingem níveis semelhantes de penetração de mercado, impulsionados principalmente pela maior adesão entre consumidores de 25 a 44 anos. O estudo conclui que “a proposta baseada em preço e recorrência tem se mostrado eficaz na captura de novos usuários, especialmente entre públicos mais sensíveis ao custo-benefício”.
Mesmo assim, as plataformas asiáticas ainda têm um desafio a superar, sugere o levantamento:
“Apesar dos avanços, a percepção sobre logística, especialmente em relação ao rastreamento, ainda aparece como um ponto de fragilidade para esses players, indicando espaço para evolução na experiência.”
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