Escolas vazias em meio ao temor de novos terremotos marcam a retomada das aulas em La Guaira, um popular balneário a 40 km de Caracas devastado pelos terremotos que deixaram mais de 6.500 mortos na Venezuela, em junho.
Dezenas de escolas foram danificadas após dois terremotos que provocaram o desabamento de 190 edifícios, entre eles 11 escolas. Além disso, cerca de 60 escolas foram transformadas em abrigos para atender os milhares de desabrigados pelos terremotos.
“Apesar da tragédia, a vida precisa continuar”, afirma Amni Núñez, um engenheiro industrial de 40 anos que levou seus dois filhos pequenos de volta às aulas.
“Eles precisam dessa forma de dizer que o mundo continua e que o que temos que fazer é aprender a viver com o novo que o terremoto nos deixou”, afirma.
Uma das poucas escolas abertas em La Guaira é a Unidade Educacional Diocesana João Paulo 2º, com capacidade para 800 estudantes, mas apenas cerca de 300 se matricularam, segundo o diretor, Marco Antonio Espinoza.
“A retomada das aulas será feita de maneira progressiva e segura, levando em consideração sobretudo o aspecto socioemocional, não apenas dos nossos estudantes, mas também do nosso pessoal”, diz Espinoza.
“É normal sentirmos medo, ainda mais com as mais de 2.000 réplicas dos tremores que já tivemos”, diz. “Apesar desse temor, apesar das réplicas, vejo pessoas dispostas a viver, dispostas a cumprir suas atividades”, acrescenta.
Para Yanet Domínguez, professora nessa escola, onde apenas sete crianças assistiam às aulas nesta terça-feira (15), o medo é normal.
“Os pais me perguntaram se a estrutura permaneceu sólida. Eu disse que sim, que inclusive foram feitas melhorias e que não tenham medo de mandar seus filhos”, afirma a professora do quinto ano.
Em todo o país, 80 escolas sofreram danos estruturais e outras 900 foram afetadas, segundo números oficiais.
Em uma região com edifícios danificados, sob uma lona, uma professora desenha um círculo em um quadro e fala sobre gestão das emoções diante de 14 alunos. Trata-se de uma pequena escola improvisada, instalada dois meses atrás para ajudar as crianças a retomarem a vida cotidiana.
“Eles ainda estão muito sensíveis. Em qualquer conversa que você tenha com eles, sempre trazem o assunto à tona, e é sempre bom ouvi-los para que, de uma forma ou de outra, possam colocar tudo isso para fora”, explica à agência AFP María Herrera, professora de 43 anos.
Na segunda-feira (14), a líder interina do país, Delcy Rodríguez, afirmou que mais de 6 milhões de estudantes voltaram às aulas no país.
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