Uruguai e Argentina compram mais móveis do Brasil do que os EUA

Luminária de mesa Jardim Latão - Edição Especial 10 anos
Luminária de mesa Jardim Latão – Edição Especial 10 anos (Foto: Divulgação)

A indústria moveleira brasileira está redesenhando o mapa de suas exportações. Os Estados Unidos seguem como principal destino do setor no país, mas viram sua participação cair de 28,3% em 2024 para 16,5% no acumulado de 2026, quase a metade em dois anos. No mesmo período, a América Latina, liderada por Uruguai, Argentina, Chile, Peru e Paraguai, avançou de 53,1% para 64,5% das exportações nacionais de móveis. O movimento é ainda mais avançado no Rio Grande do Sul, maior polo moveleiro do país: lá, os Estados Unidos já caíram da 1ª para a 6ª posição entre os destinos do estado, um retrato do que pode se tornar tendência para o restante do Brasil.

A mudança reflete uma combinação de fatores. De um lado, o aumento das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros desde agosto de 2025 reduziu a competitividade das exportações para aquele mercado. De outro, as indústrias brasileiras aceleraram sua presença em países latino-americanos, favorecidas pela proximidade geográfica, logística mais eficiente e perspectivas de ampliação dos acordos comerciais internacionais, como o Mercosul-União Europeia.

De acordo com o diretor Internacional do Sindicato das Indústrias de Móveis de Bento Gonçalves (Sindmóveis), Cleberton Ferri, o tarifaço é o fator imediato que explica a mudança: “nenhum empresário tira o pé dos Estados Unidos por conta própria, a não ser que aconteça uma situação como essa”, acredita. Segundo ele, a rapidez da medida obrigou as indústrias a se movimentarem depressa em busca de alternativas de mercado – um movimento que, segundo ele, já é mais avançado no Rio Grande do Sul, mas tende a se espalhar pelo restante da indústria nacional.

Em 2024, os EUA respondiam por 28,3% de tudo o que o Brasil exportava em móveis. Em 2025, a fatia caiu para 22,4%. No acumulado de 2026 (janeiro a maio), a participação recuou para 16,5%, em uma queda de quase 12 pontos percentuais em dois anos, mesmo com o país seguindo na liderança do ranking de destinos em todos os períodos.

Espaço Publicitáriocnsegcnseg

Apesar do recuo, o diretor pondera que os Estados Unidos dificilmente deixarão de ser prioridade para o setor moveleiro brasileiro – afinal, seguem sendo o maior mercado consumidor do mundo. Segundo o diretor, as indústrias podem até ter tirado “o pé do acelerador”, mas não deixaram de olhar para lá: mantêm contato com compradores e seguem fazendo ofertas, na aposta de que a tarifa caia ou seja renegociada em algum momento. Para ele, trata-se de uma estratégia de longo prazo.

América Latina

Ainda que os Estados Unidos sigam na primeira posição, a distância para os concorrentes latino-americanos diminuiu de forma acentuada. Somados, Uruguai e Argentina – 2º e 3º colocados no ranking nacional – já compram mais móveis brasileiros do que os Estados Unidos sozinhos: US$ 74,4 milhões ante US$ 54,3 milhões entre janeiro e maio de 2026.

A explicação de Ferri para o avanço desses mercados é direta: nenhum dos três tem produção própria de móveis em escala relevante e todos ficam muito próximos do mercado brasileiro. Historicamente, esses países já eram presença constante entre os compradores da Movelsul Brasil, o que deu à indústria nacional uma proximidade que se converteu rapidamente em mais vendas assim que a demanda americana recuou.

O comportamento do Rio Grande do Sul, maior polo exportador de móveis do país, funciona como um retrato adiantado do que pode se tornar tendência nacional. No estado, a América Latina já responde por 82,5% das exportações no acumulado de 2026, bem acima dos 64,5% observados no Brasil como um todo, e os Estados Unidos caíram para a 6ª posição entre os destinos, com apenas 6,8% do total, ante 16,5% na média nacional.

Siga o canal Monitor Mercantil no WhatsApp:cnsegcnseg

Crédito: Link de origem

- Advertisement -

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.