Vários grupos formaram, este sábado (13.09), barricadas com pneus e madeiras a arder em diversas comunidades são-tomenses, em protesto contra a rejeição da candidatura da coligação MCI-PS/PUN em cinco ciclos eleitorais, por alegada falsificação de assinaturas.
Imagens dos protestos, que decorrem no arranque da campanha para as eleições legislativas, autárquicas e regional de 27 de setembroem São Tomé e Príncipe, têm sido partilhadas nas redes sociais e foram confirmadas à Lusa por fonte da Polícia Nacional.
As situações de maior agitação ocorreram nos distritos de Lembá e Cantagalo, onde a população, maioritariamente militantes da coligação MCI-PS/PUN, bloqueou o trânsito e impediu inclusive a entrada da comitiva de campanha da Ação Democrática Independente (ADI) em Lembá.
Líder do MCI-PS/PUN fala em “tentativa de provocar caos”
O Tribunal Constitucional são-tomense rejeitou a candidatura da coligação MCI-PS/PUN às legislativas em cinco ciclos eleitorais por falsificação de assinaturas de cerca de 60 candidatos a deputados.
Em reação numa conferência de imprensa, este sábado, Domingos Monteiro, presidente da coligação MCI-PS/PUN, acusou o Tribunal Constitucional de querer provocar instabilidade e caos no país, após a rejeição da candidatura do partido em cinco ciclos eleitorais, por alegada falsificação de assinaturas.
“Quem está a provocar e instabilidade neste país é este Tribunal Constitucional encomendado. Este Tribunal é que está a provocar a tentativa de caos aqui neste país por que os nossos militantes estão altamente revoltados, o povo está revoltado, já começou a haver sinais, estão a mandar militares para tentar evitar as pessoas, mas isto não vai parar e a responsabilidade é deste Tribunal Constitucional e dos seus mandantes”, disse Domingos Monteiro.
O líder partidário instou o TC a mostrar as denúncias ou impugnação das suas listas, e acusou a instituição de querer fazer o papel dos órgãos de investigação criminal.
“Não sabemos se o Tribunal Constitucional é perito na matéria das assinaturas. Já não existe Ministério Público neste país, já não existe Polícia Judiciária? […] porquê que não reveem as outras listas de outros partidos?”, indagou Domingos Monteiro, que anunciou que vai recorrer da decisão na segunda-feira e acusou o TC de perseguir o partido, eliminando os candidatos mais bem posicionados nos referidos distritos.
Eleições a 27 de setembro
A campanha para as eleições legislativas, autárquicas e regionais de 27 de setembro em São Tomé e Príncipe arrancou este fim de semana e a elas concorrem os partidos com assento parlamentar, Ação Democrática Independente (ADI), o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), a coligação Movimento de Cidadão Independentes-Partido Socialista/Partido de Unidade Nacional (MCI-PS/PUN) e o Movimento Basta.
Concorrem ainda a estas eleições três partidos sem assento parlamentar, nomeadamente, o Partido de Convergência Democrática (PCD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM) e o recém-criado Movimento Político Nossa Terra.
Para as eleições legislativas estão em disputa 55 assentos da Assembleia Nacional. O partido vencedor deverá ser chamado pelo Presidente da República a formar o próximo Governo.
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