Em São Tomé e Príncipe, onde o mercado de trabalho geral é limitado, a docência tem sido uma escapatória para muitos. É o caso de Páscoa Tete. Formada em Comunicação e Jornalismo, começou a dar aulas há dois anos, no ensino básico. Depois de concluir a sua formação, procurou emprego na área, mas sem sucesso.”Eu decidi ser professora porque foi a alternativa que eu encontrei”, conta.
Na sua área a procura não deu certo: “Depois que eu terminei a minha formação no ramo de jornalismo comecei a escrever algumas cartas e entreguei em algumas instituições, não consegui nada. Foi assim que se abriu o concurso para recrutar novos professores que eu decidi me inscrever”.
Os desafios
A realidade descrita por Páscoa Tete reflete a de muitos jovens são-tomenses. No entanto, a docência continua a ser uma profissão marcada por dificuldades. O presidente do Sindicato Independente dos Professores são-tomenses, Clementino Boa Morte, aponta vários desafios que afetam o dia a dia dos docentes.
“A realidade dos professores hoje é marcada por alguma instabilidade profissional. Por dificuldades no enquadramento profissional, dificuldade na promoção e na progressão na careira, dificuldades nas condições de trabalho, dificuldade no acesso a materiais didáticos e no apoio ao ensino e fundamentalmente na formaçãocontínua e no desenvolvimento da carreira” enumera.
E o velho problema também é levantado por Boa Morte: “A questão salarial é um desafio crónico”.
O sonho não morre
Páscoa Tete admite, por isso, que deixaria a educação se surgisse uma oportunidade profissional com melhores condições. Mas, enquanto isso não acontece, diz que o amor pelas crianças é o que a motiva a continuar. “Apesar de não ter sido o meu sonho inicial, mas eu tenho me adaptado”, reconhece.
Mas há algo que alegra Páscoa na profissão não sonhada: “É uma alegria ver os meninos que não sabiam ler começarem a ler, que não sabiam contar começarem a contar, reconhecer os algarismos. Isso é uma alegria. Nós temos que ter amor pelas nossas crianças, e vê-las a desenvolver é uma alegria para mim.”
Para muitos jovens são-tomenses, a sala de aula continua a ser o lugar onde o desemprego dá lugar à esperança.
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