Autor de golaço de Cabo-Verde, Lopes Cabral teve saída do Benfica pedida por torcedores após trocar camisa com Vinicius Jr

Há quatro meses, o lateral cabo-verdiano Sidny Lopes Cabral se tornou um dos personagens do confronto entre Real Madrid e Benfica no mata-mata da Liga dos Campeões, marcado pelo racismo cometido pelo argentino Prestianni contra Vinicius Jr. No final do segundo jogo, Cabral pediu a camisa do brasileiro e foi alvo de muitas críticas da própria torcida do Benfica.

Aquela partida foi repleta de tensão devido à acusação levantada por Vinicius Jr no jogo de ida. Prestianni, que cobriu a boca no episódio, negou ofensas racistas. Ao final, ele foi suspenso pela Uefa sob acusação de ter cometido xenofobia. Por causa desse caso, a Fifa criou o protocolo “Vinicius Jr” na Copa do Mundo, que pune com cartão vermelho quem cobrir a boca para se dirigir ao adversário. Dois atletas já foram expulsos por isso no mundial.

Depois do jogo, torcedores do Benfica, que ficaram ao lado de Prestianni, exigiram a saída de Lopes Cabral do clube, nas redes sociais. Em entrevista ao jornal The Guardian, o lateral disse que foi um “período difícil”.

— Tem tanta gente comentando no meu Instagram, me mandando mensagens, me chamando de preto, me chamando de macaco. Tive que desligar o celular. É muito triste — afirmou Lopes Cabral.

Ao final da temporada, o Benfica acertou a venda dele parao Trabzonspor, da Turquia, em um negócio de 10 milhões de euros. Ele ficou apenas seis meses no clube português.

Após o empate heroico contra a Espanha, Lopes Cabral negou que a negociação tenha tido relação com o episódio da camisa. Pelo contrário, ele disse que tinha boa relação com os argentinos Otamendi e Prestianni.

— No vestiário foi tudo bem, nunca tive problema com Prestianni e Otamendi, somos bons amigos, por isso não há problemas entre nós — disse Lopes Cabral.

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