Janine Lélis anuncia candidatura à presidência de Cabo Verde

“É preciso ter coragem para enfrentar um incumbente”, disse, em referência a José Maria Neves, atual chefe de Estado que ainda não anunciou uma recandidatura.

A primeira mulher a tentar chegar ao cargo justificou o anúncio com a necessidade de “debate e troca de ideias”.

Segundo referiu, “o país ganha”, depois de a abstenção ter atingido o valor recorde de 53,5% nas legislativas de 17 de maio, em que o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) voltou ao poder.

“Uma disputa pode tirar as pessoas da apatia política e fazer com que realmente participem”, disse.

Janine Lélis referiu gostar “muito” da vida política, exercendo-a “com gosto, com prazer”, entrando na corrida após uma reflexão que já dura “há algum tempo” e após “alguns contactos”.

Procura “um apoio alargado junto da sociedade e dos partidos políticos” e espera “um apoio especial do MpD”, tendo já dirigido uma carta a solicitá-lo ao presidente interino do partido e ex-colega de Governo, Eurico Monteiro.

“Renunciei, na reunião da Direção Nacional do dia 06 de junho, às minhas funções de vice-presidente do MpD e de membro da Comissão Política”, detalhou.

A candidata considera que José Maria Neves, antigo líder do PAICV e primeiro-ministro (2001-2016), “falhou” como Presidente da República e devia ter pedido “desculpas à Nação” pelas crises relacionadas com irregularidades em despesas e num salário atribuído à primeira-dama.

A Presidência respondeu aos relatórios de 2024 referindo que algumas despesas foram herdadas e outras eram práticas correntes (para as quais se procuravam soluções), enquanto os salários foram devolvidos, acusando o Governo de deslealdade ao “barrar” um anteprojeto de lei sobre o tema.

Lélis acusa-o ainda de “protagonismo excessivo” e de ir ao Mundial 2026 — em que Cabo Verde está a ser uma das revelações — “transformar a representação do Estado num palco de autopromoção política”.

Numa altura em que o PAICV domina autarquias, parlamento e Governo, Janine Lélis considerou que a sua candidatura pode contribuir para um “equilíbrio do poder”.

Janine Lélis, 52 anos, advogada, foi deputada municipal na ilha do Sal em 2004 e deputada nacional durante 10 anos, antes de integrar governos do MpD, nos quais assumiu as pastas da Justiça, Trabalho, Defesa, Coesão Territorial, Assuntos Parlamentares e Conselho de Ministros.

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