São Tomé e Príncipe ainda é um destino pouco conhecido e popular, mas muito valorizado por quem busca contato com a natureza, descanso e praias praticamente desertas.
A cerca de seis horas de voo direto de Lisboa, o país vem sendo procurado sobretudo por casais e viajantes aventureiros, em especial europeus, que encontram ali um destino próximo em distância, mas com sensação de isolamento e autenticidade.
Coberto por uma densa floresta tropical, o país reúne trilhas, cascatas, vulcões extintos e parques naturais como o Parque Natural Obô de São Tomé. As praias, na maioria selvagens ou quase vazias, reforçam a imagem de um destino preservado.
Vista aérea de praia em São Tomé. Crédito: Reprodução Instagram saotometravel
Mas São Tomé e Príncipe também é um país muito marcado pela história. As antigas “roças”, grandes propriedades agrícolas do período colonial português, são hoje um dos principais símbolos dessa herança. Funcionavam como pequenas cidades, com casas senhoriais, alojamentos para trabalhadores, igrejas, oficinas e até hospitais. A economia girava toda em torno do cacau e do café.
Entre os séculos XIX e XX, o arquipélago chegou a ser um dos maiores produtores mundiais de cacau, sustentando a prosperidade dessas estruturas agrícolas.
Imagem da antiga Roça Monte Café, uma das que será intervencionadas. Crédito: Turismo de São Tomé e Principe
Hoje, muitas roças estão abandonadas ou parcialmente recuperadas, tendo sido transformadas em hotéis, centros culturais e projetos de turismo e gastronomia. Nos últimos anos, têm surgido iniciativas para revitalizar esse património histórico e integrá-lo ao turismo.
Nesse contexto, foi assinado no inicio de maio (7) um acordo entre o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços de Portugal, Pedro Machado, em visita ao país, e o governo santomense, com foco na recuperação de antigas roças para uso turístico e na formação de profissionais do setor.
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Segundo Pedro Machado, a ideia é “transformar esses espaços históricos em locais de visitação e hospedagem, ajudando a ampliar a permanência dos turistas no país e a valorizar produtos locais como café, chocolate, óleo de palma e a gastronomia típica”. E por outro lado apoiar a população local com capacitação profissional “ é um passo importante para o desenvolvimento do turismo sustentável e para a criação de oportunidades, especialmente para os jovens, em áreas como hotelaria, restauração e serviços turísticos”.
Vistas de um quarto do hotel na antiga Roça Sundy, atualmente em obras de melhoramento. Crédito: Omali By Principe Collection
O plano inclui ainda a atração de investimento privado para reabilitação do património, com destaque para a Roça Diogo Vaz, prevista como uma das primeiras a ser intervencionada.
Do lado santomense, a ministra do Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável, Nilda da Mata, diz que “agora é o momento de agir”
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Atualmente, algumas roças já funcionam parcialmente como alojamentos rurais e espaços de experiências gastronômicas. A expectativa é que novos investimentos consolidem São Tomé e Príncipe como um destino de natureza e autenticidade porém com uma oferta de alojamentos históricos e de qualidade apoiadas nas antigas plantações de cacau e café.
Susana@revistaentrerios.pt
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