A atleta luso-são-tomense Agate de Sousa obteve o ouro para Portugal no mundial de salto em comprimento, realizado recentemente na Polónia. Sousa já representou São Tomé e Príncipe (STP) antes de passar a competir por Portugal.
Nas redes sociais, muitos são-tomenses manifestaram orgulho pela conquista, mas também frustração por verem atletas nacionais a brilhar com outras bandeiras.
Para o antigo treinador da atleta, Adnex Costa, “é uma alegria pela atleta”, mas confessa: “Eu gostaria que isso fosse com as cores da bandeira nacional”.
E Costa defende mais apoio ao desporto no país: “Apelo às autoridades competentes que invistam um pouco mais no desporto, ainda que não seja de forma massiva, mas para ter mais atenção com aqueles que têm destaque, que o país é que sai sempre a ganhar com isso”.
Triunfo português graças ao estímulo de STP
Segundo o treinador, a atleta mudou-se para Portugal em 2019, com uma bolsa do Comité Olímpico São-tomense, à procura de melhores condições de treino — uma realidade que, diz, ainda não existe em São Tomé e Príncipe.
Também o presidente da Federação São-tomense de Atletismo, Simão de Carvalho, reconhece as dificuldades, mas sublinha que a decisão final é dos atletas: “A atleta decidiu representar outro país por sua livre vontade e não nos cabe impedir”.
Carvalho aponta medidas que poderiam potenciar a retenção: “O que nós temos que fazer aqui é continuar a lutar, tentar educar os nossos jovens e os nossos atletas para o gosto e a vontade de querer representar o país, independentemente das condições que cada um coloca à sua disposição.”
Brilho para os outros, até quando?
Segundo Simão de Carvalho, tem-se registado uma fuga crescente de atletas são-tomenses para outros países, resultado direto da falta de condições no país.
“É verdade que os atletas neste momento têm dificuldades sociais gravíssimas e nós não temos com resolvê-los. Realmente o investimento que o Governo põe à disposição do desporto é praticamente nulo”, reconhece.
Uma realidade que expõe os desafios do desporto em São Tomé e Príncipe e levanta uma questão inevitável: sem investimento, quantos mais talentos terão de partir para brilhar fora do seu próprio país?
Crédito: Link de origem