A Academia Brasileira de Cinema anunciou, nesta segunda-feira (24), os 15 longas-metragens habilitados a disputar a vaga de representante do Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027.
O processo seletivo buscará o candidato ideal para tentar manter o histórico recente de consagração do cinema nacional em Hollywood, após os sucessos estrondosos das edições anteriores.
O cronograma de escolha será dividido em duas fases. A comissão de seleção se reunirá no dia 9 de setembro para anunciar uma lista prévia com seis produções finalistas. Na semana seguinte, no dia 16 de setembro, o filme escolhido para representar o país será revelado oficialmente por meio de comunicado à imprensa e nas redes sociais da instituição.
A decisão acontece em um momento de altíssima expectativa e consolidação para o setor audiovisual. Em 2025, o Brasil levou a estatueta pela primeira vez com “Ainda Estou Aqui”. Já na edição de 2026, o país fez história com “O Agente Secreto”, que repetiu a presença na categoria internacional e ainda cravou uma inédita nomeação a Melhor Filme.
Para 2027, a pré-lista reflete a força das produções que brilharam no circuito de festivais e trazem grandes nomes no elenco e na direção. A seleção inclui obras de destaque no Festival de Gramado, como “Cinco Tipos de Medo”, “Nosso Segredo” e “Feito Pipa”, além de produções estreladas, como “Herança de Narcisa”, com Paolla Oliveira, e “O Rei da Internet”, com João Guilherme.
Destaques da disputa
Entre as 15 obras qualificadas, confira os enredos que estão na corrida pela vaga:
- 100 Dias, de Carlos Saldanha: Acompanha os desafios físicos e mentais do navegador Amyr Klink em sua travessia solitária a remo pelo Oceano Atlântico.
- A Conspiração Condor, de André Sturm: A investigação de um jornalista sobre as suspeitas que rondam as mortes dos ex-presidentes JK e João Goulart durante o regime militar.
- A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai: Documentário no qual meninas do interior do Piauí revisitam o passado de suas ancestrais e projetam futuros libertadores.
- A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo: A amizade entre duas crianças que se conhecem em um hospital e acabam vivendo um verão transformador em Goiás.
- Ato Noturno, de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher: O romance secreto entre um político e um ator, unidos pela compulsão de se exporem a riscos em locais públicos.
- Cinco Tipos de Medo, de Bruno Bini: Vidas distintas e em crise que acabam se cruzando de maneira perigosa em uma trama inspirada em eventos reais.
- Dolores, de Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes: Três gerações de mulheres de uma mesma família tentam mudar de vida, apostando suas fichas em novos e arriscados sonhos.
- Feito Pipa, de Allan Deberton: Um garoto de 12 anos, criado com muita liberdade pela avó, depara-se com o desafio de ir morar com o pai distante.
- Herança de Narcisa, de Clarissa Appelt e Daniel Dias: Uma mulher tenta vender a casa da família e dividir o dinheiro com o irmão, mas passa a ser assombrada pelo espírito da mãe, uma antiga vedete.
- Nosso Segredo, de Grace Passô: Os conflitos e o luto de uma família negra, atravessados por um segredo guardado pelo filho mais novo.
- O Rei da Internet, de Fabrício Bittar: O drama baseado na história real do famoso hacker brasileiro Daniel Nascimento e sua queda após se envolver com uma quadrilha.
- Quando Vira a Esquina, de Chris Alcazar: Um registro documental que constrói pontes e dá protagonismo às trabalhadoras sexuais da tradicional Vila Mimosa.
- Malês, de Antonio Pitanga: A jornada de sobrevivência de um casal muçulmano escravizado no Brasil, tendo como pano de fundo a Revolta dos Malês, em 1835.
- Papagaios, de Douglas Soares: A obsessão pela televisão mostrada através da relação entre o maior “papagaio de pirata” do Rio de Janeiro e seu novo pupilo.
- Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins: O luto de uma idosa que, após perder o filho motorista em uma tragédia de ônibus com contornos suspeitos, decide procurar as famílias das demais vítimas.
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