Rui de Sá revela causa do enfarte e conta hábitos que teve de cortar: “Isto serve de alerta para as pessoas”
Rui de Sá não ganhou para o susto quando na segunda-feira, dia 3 de agosto, se sentiu mal a caminho do restaurante onde é cozinheiro.
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“O tabaco acabou, o café acabou, o açúcar acabou e a alimentação tem de mudar”
O ator estava a ter um enfarte sem se aperceber e relata à TV 7 Dias os momentos de dor que se seguiram e que o levaram a ter de tomar medicação para o resto da vida. “Sou ator mais direcionado, neste momento, para a direção das dobragens da Disney, e há um ano que trabalho também, como as televisões estão um bocado arredadas do meu trabalho, e temos que viver, como cozinheiro num restaurante em Almada”, começa por explicar. “Estou-me a safar. As pessoas até gostam da minha comida: Peixinhos da horta, sericaia, entre outras coisas. Quando eu ia a caminho do restaurante, temos de fazer as preparações, antes de abrir, comecei-me a sentir mal. Uma coisa horrível, não desejo a ninguém. Parece que o peito… é uma pressão, apanha o lado esquerdo do pescoço também, o braço.” Rui acabou por ir à farmácia mais próxima onde o aconselharam a ligar para a linha da Saúde 24. “Estive uma hora e meia para me atenderem e não me atenderam. Como havia suores frios, fui para o ar condicionado e ao fim de hora e meia a dor foi passando. Nunca pensei que fosse um enfarte. Fui ajeitando tudo no restaurante e quando acabei, fui para o terraço descansar. Às 14 horas foi quando deu o primeiro, às 17 horas volta outra vez e mais forte. Aqui já não estava sozinho, ligaram para o 112. Veio o INEM, fizeram logo o eletrocardiograma e disseram logo que era um coágulo. Fui para o Hospital Garcia de Orta, onde fui muito bem tratado.”
Ao dar entrada no hospital, Rui de Sá enfrentou um processo demorado. “Tive de esperar bastante por causa daqueles procedimentos todos, como as análises, o soro e os exames e aguardar pelos resultados”, recorda. O ator acabou por ser submetido a um cateterismo no dia seguinte, terça-feira. “Colocaram uma redezinha na artéria. É um processo doloroso, porque primeiro experimentaram introduzir os tubinhos e os balões num braço e depois no esquerdo para desentupir a artéria”, partilha Rui de Sá. Dias depois, uma conversa com a médica deixou tudo em perspetiva e o diagnóstico voltou a emocioná-lo. “A médica que me acompanhou veio falar comigo e disse-me dois dias mais tarde, se eu não tivesse ido ao hospital, não estaríamos a ter esta conversa”, interrompe, voltando a emocionar-se. “Comecei a chorar, porque a vida passa muito depressa e não é um dado adquirido”.
Este grave susto obriga Rui a mudar radicalmente o seu estilo de vida. “O tabaco acabou, o café acabou, o açúcar acabou e a alimentação tem de mudar”, explica, partilhando que o açúcar corrói as paredes das artérias e das veias, tornando-se muito prejudicial para ele por já ter a lesão. “Isto serve também de alerta para as pessoas usarem o mínimo de açúcar possível. Vou ter de tomar medicamentos até ao fim da vida.” Rui não bebia álcool, nem comia grandes gorduras, e apesar de fumar, não “era um exagero”. Mas, aos 65 anos, como nos diz, o stress e o cansaço deram o alerta. “É um acumular de muitos anos de asneiras, a vida que levamos, a correria.” Para aguentar as suas jornadas de trabalho das 8 da manhã, à meia-noite consumia “uns três, quatro ou cinco cafés por dia, especialmente de manhã”. Este ritmo desenfreado foi o grande culpado do enfarte. Rui conciliava a direção de dobragens na Disney, workshops e o restaurante, que abre apenas ao jantar. “Estive três meses sem um único dia de folga. Achamos que somos máquinas e, como nunca sentia cansaço, faço as coisas por gosto, ia continuando. Temos de pagar a renda de casa, mas eu fazia-o por prazer.” A falta crónica de repouso acabou por ditar a fatura: “Dormir apenas duas a três horas por dia durante alguns anos faz com que, mais tarde ou mais cedo, o corpo pague. Como eu não sentia absolutamente nada e estava sempre com energia, o organismo decidiu obrigar-me agora a descansar. Agora sou forçado a isso”, refere, de baixa médica pela primeira vez em mais de 40 anos de carreira artística: “Nas dobragens não dava para colocar baixa, mas na restauração tenho direito”.
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Texto: Ana Lúcia Sousa (ana.lucia.sousa@worldimpalanet.com); Fotos: Arquivo Impala, Divulgação SIC e Reprodução Instagram
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