O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, iniciou nesta terça-feira (08/09) uma turnê pela América do Sul, com três paradas: Equador, Colômbia e Peru. Os três países são aliados de Washington e têm se submetido a operações militares promovidas pelo governo de Donald Trump.
Oficialmente, a viagem tem como objetivo reforçar a parceria no combate ao chamado narcoterrorismo. Mas uma das principais missões de Rubio é consolidar a parceria desses países com os Estados Unidos também nas áreas econômica, comercial e militar, de acordo com os objetivos estratégicos de Washington.
A viagem ocorre em um momento de guinada da América do Sul para a direita. O grande objetivo da política externa norte-americana é afastar a China da América Latina. A presença de Rubio busca indicar que, ao tomarem determinadas decisões, esses países podem ser beneficiados pelos Estados Unidos.
Esse benefício pode vir na forma de um pacote comercial e econômico, mas, de acordo com a avaliação apresentada, com um elevado preço para a autonomia e a soberania desses países.
Rubio não passará pelo Brasil. Diplomatas brasileiros, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, indicam, porém, que há grande atenção de Washington neste momento em relação à eleição de outubro no Brasil.
O governo norte-americano quer que a América do Sul complete essa guinada à direita, e isso passaria pela própria eleição brasileira. Rubio também está preocupado com o chamado Escudo das Américas, uma coalizão de governos de direita aliados a Donald Trump.
A passagem de Rubio pela América do Sul ocorre depois de uma série de missões na América Central. A sinalização desta vez é de que a região também pode contar com Donald Trump, desde que abra mão de sua soberania.
Há ainda um elemento relacionado à chamada doutrina “Donroe”, um neologismo que mistura os nomes Donald e Monroe. A expressão deriva da tese defendida por James Monroe, presidente dos Estados Unidos no século XIX, segundo a qual a América seria para os americanos.
A ideia de Monroe era retirar os europeus da área de influência do continente americano ou impedir que continuassem exercendo influência sobre países que haviam conquistado recentemente suas independências, como México, Brasil, Argentina, Colômbia e Peru.
Na prática, porém, a tese defendida por Monroe estabelecia que a América seria para os americanos do hemisfério Norte. É nesse sentido que a expressão “América para os americanos” volta a aparecer no debate sobre a política externa dos Estados Unidos.
Crédito: Link de origem