Responsáveis são-tomenses saúdam distinção de seis roças como Património Mundial da UNESCO

Depois de todo o seu território ter sido distinguido no ano passado como a reserva mundial da biosfera, agora foi a vez de seis roças serem reconhecidas como Património Mundial da UNESCO, no âmbito da assembleia anual desta organização que está a decorrer ao dia 29 de Julho em Busan, na Coreia do Sul. Uma homenagem que coloca o país no mapa do património mundial.

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São seis roças, duas na ilha do Príncipe e quatro na ilha de São Tomé que foram classificadas como património mundial. A distinção abrange as roças Sundy e Belo Monte, na ilha do Príncipe, e as roças Água Izé, Diogo Vaz, Monte Café e São João, na ilha de São Tomé.

Segundo a UNESCO, estes locais “ilustram o funcionamento de um sistema agro-industrial colonial em grande escala, baseado na migração e nos trabalhos forçados, desde o final do século XIX até meados do século XX, concebido para sustentar a produção de matérias-primas (essencialmente o café e o cacau) após a abolição da escravatura”.

O reconhecimento do valor patrimonial e histórico destas seis roças, sobre um total de 200 espalhadas pelo arquipélago, contou com os apoios dos governos do Japão, da Arábia Saudita, dos Países Baixos, da Coreia do Sul e do Fundo do Património Africano.

Esta distinção “escreve uma nova página na história de São Tomé e Príncipe”, como destacou a ministra são-tomense da educação, cultura e ensino superior, Isabel Abreu que representou o governo em Dusan, na Coreia do Sul. “Eu considero esse acto de protecção das roças, como uma identidade do país, enquanto alicerce de uma memória colectiva da cultura nacional”, disse a governante ao expressar a sua “gratidão pela inscrição das roças de São Tomé e Príncipe, do sistema colonial e de migração forçada na lista de património mundial”.

O Presidente do governo regional do Príncipe, Filipe Nascimento, também se congratulou com a distinção considerando que é fundamental para a promoção do turismo cultural. “Agora, o plano passará por termos aqui esse trabalho de forma mais apurada”, declarou.

Uma página que jamais poderá apagar o passado doloroso das roças, marcado pela exploração e pela migração forçada, mas que presta homenagem à resistência, à resiliência, à coragem e à dignidade das mulheres e dos homens que ali viveram e trabalharam, e cujos descendentes mantêm hoje vivo este legado.

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