Arte na cabeça: Melissa de Oliveira expõe na Casa Brasil imagens de cortes de cabelo registradas em favelas
Com uma Canon T6 — câmera semiprofissional ideal para quem deseja dar os primeiros passos além da fotografia feita pelo celular —, Melissa de Oliveira começou, aos 19 anos, a registrar o cotidiano do Morro do Dendê, na Ilha do Governador, onde nasceu, na Zona Norte carioca. O equipamento, que sua mãe fez um empréstimo no banco para comprar, foi o ponto de partida de uma trajetória que, sete anos depois, levou a fotógrafa à Casa Brasil, no Centro do Rio, com sua primeira exposição solo numa instituição: “Cada cabeça é um mundo”.
— Senti vontade de registrar o que eu via e vivia, porque comecei a olhar para a beleza das coisas da favela — diz a fotógrafa, de 26 anos. — Eu fotografava minha família dentro de casa, os becos, os vizinhos. Depois comecei a tirar fotos de algumas ações sociais, do Dia das Crianças, festival de pipa no Dendê. Minha trajetória começou ali e depois eu fui expandindo. Comecei a postar no Instagram, mas sem nenhuma pretensão. A fotografia para mim sempre foi um meio de documentar alguns momentos do meu cotidiano a partir de uma visão mais crítica e pessoal, não nasci com essa paixão.
Muitos foram os eventos da comunidade que a carioca acompanhou com sua câmera semiprofissional, em especial o 1º Festival de Grau e Corte em 2020. Os registros, em 2023, chegaram à galeria Nonada, que ficava em Copacabana.
O primeiro trabalho apresentado, conta ela, foi um conjunto de registros da cultura da favela: homens empinando motos, cenas cotidianas e cortes de cabelo. Este último tema deu origem ao trabalho contínuo de catalogação desenvolvido por Melissa.
Com fotografias de cortes de cabelo em diferentes estilos e cores, ela reúne na exposição um catálogo visual produzido em cinco comunidades fluminenses: Complexo da Maré, Jacaré, Manguinhos, Chatuba e Jardim das Acácias. O trabalho colaborativo com barbeiros é definido pela fotógrafa como um desdobramento de sua prática.
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