A UNESCO adicionou novos locais à sua lista do Património Mundial, incluindo sítios na Tunísia, no Brasil, em São Tomé e Príncipe, França, Uzbequistão e outros países procurados por viajantes portugueses.
A aldeia de Sidi Bou Saïd, na Tunísia, é um desses novos locais declarados Património Mundial, uma lista criada pela UNESCO para proteger os bens patrimoniais dotados de um valor universal excepcional.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) descreve Sidi Bou Saïd como “uma pitoresca aldeia situada num promontório com vista para o Mar Mediterrâneo, harmoniosamente integrada na topografia da falésia”. O local “há muito que inspira artistas e continua a atrair visitantes em busca de serenidade espiritual”.
A aldeia desenvolveu-se “em torno do túmulo de um mestre e santo sufi, conhecido por Sidi Bou Saïd, que viveu entre os séculos XII e XIII”. A aldeia junta “geomorfologia, arquitectura e espiritualidade” através do seu “tecido arquitectónico e planeamento urbano em simbiose com o ambiente natural, da sua estética reconhecível criada por cores emblemáticas e de uma aura mística associada à espiritualidade sufi que permeia o local”.
São Tomé e Príncipe
As Roças de São Tomé e Príncipe também foram declaradas Património Mundial da UNESCO. A inscrição inclui seis “plantações agrícolas coloniais portuguesas”, as chamadas roças, localizadas nas ilhas de São Tomé e Príncipe, designadamente Monte Café, Água Izé, Diogo Vaz, São João, Sundy e Belo Monte.
Em conjunto, “representam um sistema de plantações coloniais planeado, dedicado principalmente à produção de café e cacau, combinando terras agrícolas, infra-estruturas industriais, áreas residenciais e equipamentos sociais em layouts espaciais altamente estruturados”, descreve a UNESCO.
As seis roças ilustram “o funcionamento de um sistema agro-industrial colonial em grande escala, baseado na migração forçada e no trabalho forçado, desde o final do século XIX até meados do século XX, para sustentar a produção global de commodities após a abolição da escravatura”.
Brasil
As novas inscrições também incluem dois teatros de ópera no Brasil, um conjunto arquitectónico composto por duas partes, designado “Teatros da Amazónia”. O conjunto classificado integra o Teatro da Paz e a Praça da República, em Belém, e o Teatro Amazonas e o Largo de São Sebastião, em Manaus.
Os teatros foram construídos nos estados do Pará e do Amazonas, no Brasil, durante a “Idade de Ouro” da Amazónia, no apogeu económico do Ciclo da Borracha, entre 1879 e 1912.
“Inspirados pela arquitectura francesa e europeia e decorados com motivos que evocam a Amazónia, estes conjuntos foram concebidos como símbolos de ambição política e urbana”, descreve a UNESCO.
Inaugurados em 1878 e 1889, respectivamente, o Teatro da Paz e a Praça da República “afirmavam o papel estratégico da cidade de Belém como porto e capital do estado, para além de celebrarem a República Brasileira”. O Teatro Amazonas, inaugurado em 1896, “integrou o amplo desenvolvimento urbano de Manaus durante o ciclo da borracha e, juntamente com o Largo de São Sebastião, expressou a riqueza e o prestígio da futura capital da Amazónia”.
França e Uzbequistão
Em França, a UNESCO inscreveu as Praias do Desembarque do Dia D, na Normandia, um conjunto de seis componentes ao longo de aproximadamente 80 km de costa, abrangendo as praias de Utah, Omaha, Gold, Juno e Sword, bem como Pointe du Hoc. “Estes locais estão directamente associados aos desembarques dos Aliados de 6 de junho de 1944, a fase inicial da Operação Overlord, que marcou o início da libertação da Europa Ocidental da ocupação nazi durante a Segunda Guerra Mundial”.
Ainda em França, as Fortalezas Reais Capetianas do Languedoc foram declaradas Património Mundial. São “oito sítios fortificados – o Castelo e as muralhas de Carcassonne e as fortalezas de Aguilar, Lastours, Montségur, Peyrepertuse, Puilaurens, Quéribus e Termes – que representam uma parte essencial do sistema defensivo capetiano estabelecido nos séculos XIII e XIV, após a Cruzada Albigense”.
O Uzbequistão, um país cada vez mais presente nas montras das agências de viagens, passou ter a arquitectura modernista de Tashkent inscrita na lista do Património Mundial da UNESCO. A inscrição inclui um “conjunto representativo de dez edifícios e complexos urbanos modernistas construídos entre as décadas de 1960 e 1990, um período formativo na reconstrução e transformação de Tashkent após o terramoto de 1966”.
“A série inclui museus, salas de exposições, hotéis, complexos residenciais, instituições culturais e instalações científicas ou de infra-estruturas, reflectindo o amplo espectro funcional da produção arquitetónica do final da era soviética”, detalha a Organização.
“Nove dos dez componentes estão situados ao longo dos eixos urbanos recentemente planeados do centro da cidade reconstruído, tal como definido nos sucessivos planos directores que remodelaram Tashkent numa metrópole socialista moderna”, acrescenta a organização. “Juntos, articulam os principais espaços públicos da cidade e demonstram a integração dos princípios do planeamento modernista com as condições climáticas, sísmicas e culturais locais”.
A UNESCO salienta que a inscrição destes locais na capital do Uzbequistão “ilustra uma fase distinta do modernismo arquitectónico, caracterizada pela construção industrializada, pela engenharia resistente aos sismos e pela adaptação de sistemas padronizados a materiais, tradições e restrições ambientais regionais”.
Finlândia, Grécia, Palestina e outros países com novas inscrições
As novas inscrições foram aprovadas na 48ª reunião do Comité do Património Mundial da UNESCO, a decorrer até 29 de Julho em Busan, na Coreia do Sul.
A organização também inscreveu no Património Mundial o Complexo Aalto, na Finlândia, um conjunto de 13 edifícios e conjuntos arquitectónicos (1928–1988) que exemplificam o Movimento Moderno do século XX e a sua resposta a amplas necessidades sociais; o monte Olimpo, na Grécia; as capitais antigas de Asuka e Fujiwara, no Japão; Castelo de Alamūt e fortificações adjacentes, no Irão; Sítio budista antigo de Sarnath, na Índia; Centro Modernista da Cidade de Gdynia, na Polónia; os locais da indústria de porcelana artesanal de Jingdezhen, na China; Castelos do Monte Amel, no Líbano; as Mesquitas rupestres e sítios sagrados associados de Mangystau, no Cazaquistão; Sebastia, na Palestina; Os complexos cemiteriais da nobreza Xiongnu, na Mongólia; As medinas dos sultanatos históricos das Comores; o sistema de teatros italiano estilo condomínio dos séculos XVIII e XIX, na Itália Central; o mosteiro Wat Phra Mahathat Woramahawihan, Nakhon Si Thammarat, na Tailândia; a Reserva Marinha de Aqaba, na Jordânia; Paisagem Migratória Boma – Badingilo, no Sudão do Sul; o Refúgio Nacional de Vida Selvagem de Okefenokee, nos EUA; os Fósseis de peixes ósseos do Limfjord Ocidental, na Dinamarca; e Wadi Wurayah, em Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos.
Para mais notícias clique: Destinos
Para aceder ao site da UNESCO clique aqui.
Crédito: Link de origem