«Quero uma equipa que me queira como jogador de futebol e não pelo marketing»

Josimar José Évora Dias, Vozinha para o mundo do futebol. O guarda-redes cabo-verdiano que conquistou uma fama que não esperava. Depois de brilhar no Mundial 2026, falou da felicidade de já não ter de explicar onde fica Cabo Verde. Contou também o quão difícil é ser-se profissional no país africano e abriu o livro sobre o que pretende para o futuro.

O jogador, que vestiu as cores do Desp. Chaves na última temporada, abordou a dificuldade em já não ter os hábitos que sempre teve. 

«Eu costumava estar no meio das pessoas. Para mim é um pouco difícil. Eu gosto de me conectar com as pessoas. Em Cabo Verde gostamos de receber as pessoas. Podemos cozinhar na rua à porta de casa… agora não posso fazer isso. Mas, no final estou muito feliz», começou por referir no programa CBS Mornings

Vozinha partilha, ainda, a felicidade de já não ter de explicar ao mundo onde é que fica, afinal, Cabo Verde. «Antes dizíamos que éramos de Cabo Verde e as pessoas perguntavam ‘onde é que isso fica?’. Agora, ao mostrar o nosso país ao mundo… já não precisamos de explicar onde fica. Isso é o melhor», atirou. 

O jogador natural de Mindelo, São Vicente, falou também do sonho de criança e da dificuldade em tornar-se profissional vindo de Cabo Verde. Depois de iniciar a carreira em Cabo Verde, teve ainda uma curta passagem por Angola. A primeira experiência na Europa foi no Zimbru, da Moldávia. Seguiu-se o Gil Vicente, em Portugal. Passou ainda por Chipre e Eslováquia antes de regressar a solo luso, em 2024, pelas portas do Desp. Chaves. 

«Quando eu era criança sempre tive o sonho de me tornar futebolista profissional. No nosso país as chances de sermos profissionais no desporto são muito pequenas. Somos africanos, cabo-verdianos. Primeiro temos de lutar pelo visto. Mesmo que tenhamos muita qualidade, num país pequeno é difícil», começou por referir. 

«Quando estás em Cabo Verde ninguém pode ver-te. Não tens as infraestruturas e as condições. Mesmo com muita talento muitos não tiveram a oportunidade de ir para a Europa. Os nossos treinadores fazem muito por nós mas no final do dia não têm o conhecimento, nunca estudaram», acrescentou ainda. 

Agora livre no mercado, Vozinha assume que pretende resolver o futuro rapidamente. Interessados não faltam, mas o cabo-verdiano não tem dúvidas: assinará com quem queira contar com ele apenas pelas qualidades.

«É das primeiras coisas que quero resolver (o futuro). Eu amo futebol, caso contrário não estaria aqui aos 40 anos. Quero jogar pelo menos mais um ou dois anos, dependerá de como o meu corpo se sentir e reagir. Espero arranjar uma equipa que me queira como jogador de futebol e não pelo marketing», concluiu. 


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